sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dinheiro torrado em publicidade

O que governos federal, estadual e municipal gastam em publicidade não está no gibi. É o dinheiro do povo, manifestado em forma de impostos, que se espalha de grandes conglomerados a pequenas mídias de comunicação. É um gasto que independe da vontade da população, na maioria das vezes contrária. Despejam esse dinheirão para propagar realizações do poder executivo.
São mensagens publicitárias que falam bem do respectivo governo e, por tabela, projetam imagens de presidente da República, governador e prefeito.
Essa prática deveria ser abolida. Quando o eleitor deposita um voto de confiança no governante, espera dele investimentos em saúde, educação e segurança. Projeta que o poder executivo trabalhe para melhorar a vida das pessoas.
Está claro, portanto, que realizações de governos não passam de obrigação, e não de favor. Paradoxalmente, o político torra dinheiro público para mostrar aquilo que fez, com objetivo de capitalização política.
Pior é que esta verba publicitária não deveria ser atrelada a qualquer tipo de conchavo. Deveria. Na prática, muitas vezes, é uma velada indicação de “cala boca” ao veículo de comunicação. Em alguns casos, há uma relação de cumplicidade deplorável. À medida que as tidas verbas são despejadas nas mídias, vê-se tratamento diferenciado, complacente, para não dizer subserviente ao político injetor de propaganda. Tudo para não se perder a “boquinha” ou “bocona”.
É como se no bojo dessas “abençoada” receitas estivesse implícito um aviso que outras virão dependendo da linha editorial definida por cada um. Quem entende a linguagem da flexibilização pode esperar pela reciprocidade. Quem se dispuser a linha editorial contundente, naturalmente não será surpreendido com o velho trinco no cofre público.
Há casos em que a autocensura já está implícita em veículos de comunicação, independente de recadinhos lá de cima. Então, dá-se um tratamento editorial de forma que a crítica seja abrandada, que denúncias de desmandos do poder executivo ganhem contornos que impliquem na redução do impacto. E por aí vai.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

REPASSEM COM URGÊNCIA!!! ISSO ESTÁ ACONTECENDO

Recebi este e-mail do amigo Shinji Nakano e o repasso textualmente a quem possa interessar



Importante! Isto já está acontecendo em Palmas-GO REPASSE!!!


Perfume do mal!


Já está acontecendo em Balneário Camboriú! Agora, há casos em Chapecó-SC, Rio de Janeiro, Cuiabá e Brasília. Uma jovem entrou em uma loja em completo desespero. Segundo ela, um rapaz ofereceu-lhe um perfume, aplicou-lhe em seu pulso e mandou-a cheirar, 10 segundos de desmaio foram suficientes para o ladrão levar-lhe a bolsa.
O fato ocorreu na Avenida Fernando Correia da Costa, em Cuiabá (MT), defronte a uma loja de O Boticário e no estacionamento da UNIC, em plena luz do dia! Os vigaristas estão atuando em bares, estacionamentos de faculdades, boates, shoppings, praças, ruas.
COMENTÁRIOS DE UM PROFESSOR: 'Fui abordado ontem à tarde por volta das15h30 no estacionamento da faculdade, onde leciono, por dois homens muito elegantes, bem arrumados e perfumados, que me perguntaram qual tipo de perfume
eu usava. Ao responder a marca do meu perfume, fizeram alguns comentários sobre o que continha na essência do meu perfume e elogiaram o meu bom gosto.
Perguntaram-me então se gostaria de testar um perfume sensacional a um preço bem razoável, em lançamento no Brasil. Mostrou-me um frasco lindo, mas não cheguei a ver o nome que nele estava escrito. Provavelmente eu teria concordado com a oferta se eu não tivesse recebido um e-mail dias antes, alertando para o golpe do perfume.
ISTO NÃO É PERFUME!
Quando você inala, desmaia. Então, eles lhe roubam objetos de valor. Em alguns casos, podem estuprar, e até seqüestrar a vítima.
Se não fosse o e-mail, provavelmente eu teria cheirado o perfume. Mas, graças à generosidade de um amigo virtual, fui poupado de uma desventura. Gostaria de alertá-los do mesmo modo. 'ATENÇÃO: Já está acontecendo também em
Brasília, em face do alto poder aquisitivo na capital federal. Denúncias já foram realizadas contra duas moças que abordavam homens no estacionamento do *UNICEUB* e da *UNIEURO*, e contra dois homens que rondavam a *UNB* e o estacionamento do ParkShopping. A Polícia Civil está investigando os casos.

NÃO ESQUEÇA:
REPASSE ESTA MENSAGEM PARA O MAIOR NÚMERO DE PARENTES, AMIGOS E CONHECIDOS!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Aniversário da Rádio Central

No sábado dia 7 de novembro, participei ao vivo do programa vespertino de esporte da Rádio Central e, ao gravar a participação, decidi reproduzi-la neste blog.
O BATISMO DA RÁDIO CENTRAL DEU-SE NA VOZ DO ENTÃO PRESIDENTE DA REPÚBLICA JOÃO BATISTA FIGUEIREDO, DURANTE VISITA A CAMPINAS
FIGUEIREDO FOI ENTREVISTADO, NA OCASIÃO, PELO REPÓRTER GILBERTO GONÇALVES, E A PARTIR DAQUELE MOMENTO CAMPINAS GANHOU MAIS UMA OPÇÃO RADIOFÔNICA DE AMPLITUDE MODULADA.
CHEGAVA AOS LARES E AUTOMÓVEIS DOS CAMPINEIROS A RÁDIO CENTRAL, QUE PODIA E PODE SER SINTONIZADA BEM NO MEIO DO RÁDIO.
EVIDENTE QUE UM DOS GRANDES DESAFIOS DA CENTRAL, NA ÉPOCA, ERA A RUPTURA COM COSTUMES DOS CAMPINEIROS, HABITUADOS QUE ESTAVAM A SINTONIZAR SEUS RADINHOS À ESQUERDA DO DAYO, ONDE SITUAM-SE AS RÁDIOS EDUCADORA (HOJE BANDEIRANTES), BRASIL E CULTURA (HOJE RÁDIO GLOBO).
AOS POUCOS, COM UM TRABALHO COMPETENTE, COMPROFISSIONAIS QUALIFICADOS, A RÁDIO CENTRAL FOI TENDO ACEITAÇÃO, MAS SABIA-SE DAS DIFICULDADES EM COMPETIR COM EMISSORAS DE RÁDIO TRADICIONAIS DA CIDADE.
A CENTRAL CHEGOU COM NOVA ROUPAGEM. TROCOU O CHAMADO VITROLÃO (PROGRAMA DE RÁDIO COM PREDOMÍNIO DE MÚSICAS) – FILOSOFIA ENTÃO ADOTADA PELAS CONCORRENTES – POR UMA PROGRAMAÇÃO JORNALÍSTICA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
PRA SE TER UMA IDÉIA, A CENTRAL HAVIA PROJETADO COBERTURA DIÁRIA NO AEROPORTO DE VIRACOPOS, NA ÉPOCA COM DEMANDA CONSIDERÁVEL DE PASSAGEIROS E CONTANDO COM ESCALA DE VÔOS INTERNACIONAIS.
PORTANTO, PESSOAS DE DESTAQUE NO MUNDO ESPORTIVO, JORNALÍSTICO, ARTÍSTICO, POLÍTICO E EMPRESARIAL QUE POR LÁ PASSAVAM OBRIGATORIAMENTE FALAVAM À RÁDIO CENTRAL.

NO ESPORTE, A CENTRAL MONTOU UMA EQUIPE CATEGORIZADA, TIRANDO PROFISSIONAIS DE PRIMEIRA LINHA DE OUTRAS EMISSORAS CONCORRENTES.
O CAPITÃO DAQUELE TIME ERA O RENOMADO RADIALISTA ALFREDO ORLANDO.
ALFREDO TINHA UM ESTILO PRÓPRIO DE NARRAR FUTEBOL, SEMPRE EM CIMA DA JOGADA.
ELE TAMBÉM ASSIMILOU BEM O PADRÃO DO IMORTAL NARRADOR DE FUTEBOL PEDRO LUIZ – O MAIS LAUREADO NARRADOR ESPORTIVO DE TODOS OS TEMPOS – E DESCREVIA AS JOGADAS MINUCIOSAMENTE.
QUANDO ALFREDO ORLANDO COMPLETAVA A NARRAÇÃO DE UMA JOGADA DE ATAQUE, RESTAVA AO REPÓRTER A BUSCA DE GANHOS DIFERENCIADOS, SOB RISCO DE SER REPETITIVO. O REPÓRTER PRECISAVA TER UMA CAPACIDADE APURADA DE OBSERVAÇÃO PARA IDENTIFICAR FALHA DE UM ZAGUEIRO, FORMA DE FINALIZAÇÃO DE UM ATACANTE OU A REPRODUÇÃO DE FALAS DE JOGADORES QUE PARTICIPARAM DO LANCE. AS COBRANÇAS MÚTUAS DOS JOGADORES OU DESABAFO EM COMEMORAÇÕES TINHAM DE SER FLAGRADOS PELOS REPÓRTERES, PARA QUE ACRESCENTASSEM ALGO À NARRAÇÃO PRATICAMENTE COMPLETA DO ALFREDO, E ATÉ MESMO DO ALBERTO CESAR, O SEGUNDO NARRADOR DA EQUIPE. COM A REPRODUÇÃO DE FALAS, O REPÓRTER LEVAVA O TORCEDOR À BEIRA DO GRAMADO, COM SE ELE, TORCEDOR, ESTIVESSE ESCUTANDO O FALATÓRIO DA BOLEIRADA.
DAQUELE EQUIPE BATIZADA PELO ALFREDO ORLANDO DE SELEÇÃO DO RÁDIO – SLOGAN AINDA UTILIZADO PELA EQUIPE DO ALBERTO CESAR – PARTICIPAM AINDA: PEREIRA ESMERIZ COMO COMENTARISTA, EU E PAULO MORAES COMO REPÓRTERES, PEDRO ENGLES E CARLOS TAVARES NO PLANTÃO ESPORTIVO.
DURANTE UM ANO DE CONVIVÊNCIA COM A SELEÇÃO DO RÁDIO, CONFESSO QUE SUGUEI DE CADA PROFISSIONAL UM POUCO DE SUA SABEDORIA PARA INCORPORAR AO MEU TRABALHO NO RÁDIO. E SOU GRATO POR ISSO
HOJE ESTOU APOSENTADO E PRATICAMENTE FORA DO MEIO – RÁDIO E JORNAL – QUE FORAM MEU HABITAR DURANTE ESSES 31 ANOS DE ESTRADA NA ÁREA.
PRA NÃO DIZER QUE ESTOU TOTALMENTE FORA DO MERCADO, TENHO UMA MICROEMPRESA QUE PRODUZ EM TEXTO E ÁUDIO UMA COLUNA SOBRE PERSONAGENS DO FUTEBOL DO PASSADO. É UMA MANEIRA DE RESGATAR AQUILO QUE OUTRORA DEU VIVA AO MUNDO DA BOLA E HOJE CAIU NO ESQUECIMENTO
DOS VEÍCULOS PARCEIROS DESTE TRABALHO, DESTACO A RÁDIO CENTRAL, QUE SEMANALMENTE VEICULA MEU MATERIAL EM SUAS PROGRAMAÇÕES ESPORTIVAS. O ÁUDIO TAMBÉM PODE SER CONFERIDO NO SITE FUTEBOL INTERIOR.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Recado às mães

Atenção mães que protegem e até mimam filhos desobedientes: mirem nesse oportuno versículo bíblico na carta de Eclesiaste, capítulo 30, versículo primeiro, do velho testamento: “Aquele que ama o seu filho corrige-o com freqüência, para que se alegre com isso mais tarde”
Quantas e quantas mães deveriam refletir sobre esse versículo. Infelizmente deixam os filhos a deus dará, toleram as malcriações, não sabem educá-los, e futuramente vão vê-los chutando suas respectivas canelas.
Pior é quando o pai tenta repreender o filho e a mãezona fica com dó e amacia.
Bom, o versículo de Eclesiaste está aí. Tire bom proveito dele

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Fedentina em ônibus

Constantemente se vê por aí autoridades municipais incentivando a população a fazer uso do transporte coletivo, de forma que haja redução da circulação de veículos em áreas centrais das cidades, geralmente congestionadas.
A intenção é louvável e de certo os motoristas até prefeririam trocar o estresse ao volante de um veículo pela comodidade de uma poltrona de ônibus. Mas o problema são os entretantos.
Geralmente o intervalo de um para outro ônibus em pontos é demorado. A tarifa é salgada. Os apressados motoristas confundem transporte de humanos com os de bois, provocando solavancos perigosos.
Não bastassem esses inconvenientes, é praxe a viagem do cidadão em pé, sujeito a toda sorte. Pior para as mulheres que são vítimas de encoxadas na bundinha por aproveitadores que ficam se esfregando. Todos, no entanto, enfrentam empurrões propositais e a maldita fedentina de gente que não troca a roupa há dias, pra não dizer falta de banho.
Também não são poucos os usuários do transporte coletivo que exalam hálito fedorento na respiração por causa de dentes mal cuidados, problemas estomacais e reflexo da cachaça exagerada.
Com tantos inconvenientes para o uso do transporte coletivo, fica difícil estimular proprietários de veículos a deixarem o carro na garagem. Concorda?

sábado, 10 de outubro de 2009

Tudo por causa da maça fuji

Dias desses, em um hipermercado, um casal se alvoroçava em gôndola de frutas e cresceu o olho nas fresquinhas maças fuji vendidas supreendentemente a R$ 1,25 o quilo, quase metade do preço original praticado semana anterior.
Pois é, o velho dito que "lobo perde o pelo, mas não perde o vício" se aplica bem aos alusivos idosos. A mulher, rapidamente, enchia saquinhos e o marido dela, posudo, e com desfaçatez ainda a questionou porquê tanta maça. E ela, cinicamente respondeu: - Bem, a gente aproveita para fazer suco.
Convenhamos que ela não seja tão ignorante para desconhecer que a maça fuji é disparadamente a mais doce dos macieiros e, consequentemente, a mais saborosa da espécie.
É chato esta história do faz de conta, ou do "engana-me que eu gosto". Neste caso específico, discretamente coloquei "minha colher no meio". Provoquei um sujeito ao meu lado sobre a sorte de encontrarmos uma maça tão seleta por preço baixo. Aí, claro, ele prontamente concordou.
Talvez meu interlocutor, como a maioria das pessoas, desconheça as propriedades nutritivas e terapêuticas da maça fuji, a mais cultivada no mundo e que por aqui chegou há quase 80 anos, no Sul. Saibam todos, também, que o consumo dela ajuda a prevenir taxa de colestorol, que ela tem um alto teor de potássio e é rica em ferro, cálcio, magnésio, zinco e manganês.
Alô casal em questão: da próxima vez não precisa disfarçar. Em promoção ou não do hipermercado, encha quantos saquinhos quiser e saborei um fruto que, diferentemente da maioria, não transforma abrutamente a frutose em glicose.
Portanto, caso um dos côngeges seja diabético, saiba que a maça fuji não se enquadra naquela fruta que você tem que botar freio. Coma até saciar a vontade.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Confiar em estranho

Ao folhear páginas de anúncio classificado de um jornal me surpreendi com nota de um jovem - suponho que seja estudante - sugerindo divisão de apartamento com rapaz, naturalmente para se rachar as despesas de aluguel. Na mesma linha, convite para que moças partilhem a mesma moradia em casa alugada.
Por mais que tentem explicar sobre os naturais cuidados que vão se cercar para não dividir espaço com um delinquente, convenhamos que hoje, neste verdadeiro apocalipse, é extremamente temeroso bancar essa parceria. Depositar confiança em estranho pode ser uma atitude suicida por “ene” motivos. Caso duvide, convém lembrar o ditado popular de que “quem vê cara não vê coração”.
De repente, você imagina partilhar o espaço com um anjo e na prática depara com o capeta em pessoa. Atrás daquele olhar tímido e despretensioso pode estar escondido uma fúria incontrolável.
Ainda no tal caderno de classificados observa-se proposta para sociedade em empreendimentos do tipo padaria, bar, restaurante e até oficina mecânica. De repente, quem busca um sócio para seu negócio pode encontrar um parceiro de caráter e extremamente qualificado, mas convenhamos que a possibilidade de desarmonia é muito maior.
Se é praxe até nas boas famílias discordância quando há envolvimento de dinheiro em negócios, que dirá entre pessoas apresentadas uma a outra recentemente?
Enfim, como há gente de todo tipo e para todos os gostos, fica a nossa torcida para aqueles que se dispõem a encarar as respectivas empreitadas sejam bem sucedidos. Que sejam protegidos pela mão divina.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Porcões de plantão

O mecânico Ademir mijou, saiu do banheiro sem abrir a torneira do lavatório, e despediu-se de três pessoas com o tradicional aperto de mão. E tudo com a maior naturalidade, totalmente despreocupado com a falta de higiene.
O músico Amaral, em sua inseparável pelada de final de semana com amigos, coçou a bolsa escrotal descaradamente antes do pontapé inicial, se esborrachou de rir com piada contada nem sei por quem, e, instintivamente, estendeu aquela mesma mão colocada por baixo da cueca para cumprimentar o último “peladeiro” que completaria o time adversário naquele rachão.
Ambos os relatos são verídicos e ficamos apenas nos prenomes para resguardá-los. O diferencial, no caso de Amaral, é que o último “peladeiro” do rachão se mancou e deu bronca no amigo.
- Amaral, qual é a sua ao estender esta mão de pinto pra mim?
O músico, constrangido pela inesperada reação do colega, pelo menos aprendeu a lição. Pelo que se sabe jamais repetiu esse gesto feio, deselegante, e sobretudo anti-higiênico de pessoas que não têm simancol. Infelizmente, calcadas no dito “aquilo que os olhos não vêem o coração não sente”, abusam desse mau costume enraizado na cultura brasileira e, quiçá, mundial. São os porções de plantão.

Sorriso banguelo

Dizem que o sorriso gera alegria e é sinal perceptível de amizade. Epa! Nem sempre. Fique de olho naquele sorriso debochado, irônico. Ele é perigoso e deve ser tratado com reservas.
Reflita bem ao deparar com sorriso falso, para não se arrepender mais tarde. E não menospreze o sorriso amarelo de seu interlocutor tristonho. Lembre-se que até nessas circunstâncias o sorriso é uma forma de se extravasar.
Quem inventou a frase “sorria, você está sendo filmado”? Não sabe? Também não vem ao caso. Convenhamos que é um sugestivo apelo aos abusados para que se contenham, sob risco de serem flagrados pelas intimidadoras câmeras.
Por fim, é doído para a pessoa banguela esticar forçosamente os lábios na tentativa de esconder falhas na arcada dentária. Por mais sincero que seja o sorriso banguelo, certamente é aquele que mais descaracteriza o indivíduo. Julgam-no como desleixado, desconsiderando, na maioria das vezes, o bolso vazio do cidadão para a retomada do sorriso Colgate.
Talvez por isso ainda veremos por muito tempo banguelos esticando os lábios e disfarçando um sorriso.

sábado, 29 de agosto de 2009

Aperto de mão

Em duas circunstâncias, por diferentes motivos, deixei de estender o braço para, reciprocamente, cumprimentar pessoas. Surpreendidas com minha reação, tiveram, constrangidas, de recolher as mãos à posição original.
Desculpem. Não cabe aqui detalhar as razões. O certo é que as pessoas em questão provocaram algum tipo de desagrado, gerando, portanto, minha reprovação.
Eis a questão: fui transparente ao extremo mostrando desagrado com as citadas pessoas ou pratiquei um ato de indelicadeza, contrariando os bons costumes?
Dizem que não existe meia verdade e que tradicionalmente a discussão gira em torno de duas verdades, até se apurar aquela que é absoluta. Neste caso singular, provavelmente as duas sejam aceitas.
A recusa de um aperto de mão expressava um gesto de sinceridade. Afinal, por que teria de, cordialmente, cumprimentá-las se não era aquele o meu desejo?
Naturalmente que o outro lado da questão nos remete a uma análise mais diplomática e indica reprovação de tal gesto. Tem como justificativa educação e bons costumes como preceitos básicos a qualquer cidadão. É a tal da etiqueta, do politicamente correto.
Veja que situação complicada! Para o prevalecimento dos bons costumes teria eu, mesmo contrariado, que retribuir o aperto de mão? Convenhamos que para o dissimulado uma tarefa facílima. Com a maior “cara de pau” transforma aperto de mãos em abraço, e ainda acrescenta um sorriso falso. Mas...
Não. Absolutamente. Prefiro a frieza da transparência e arcar com as conseqüências. Questão de berço, da absorção de rigorosa educação paternal. Jamais me curvaria a hipocrisia em nome do politicamente correto. Encaixa-se aí o duradouro ditado que mais vale vender banana a se rebaixar, com todo respeito a produtores e comerciantes de banana.
No caso em questão, estender a mão a pessoas indesejáveis é praticar violência contra si mesmo.

domingo, 23 de agosto de 2009

Short ‘comportado’

As meninas do vôlei do Brasil são as melhores do mundo na categoria e ponto final. Qualidade técnica-tática à parte, cabe detalhamento de aspectos periféricos ao jogo, e um deles é o short tamanho ideal, que evita desconforto e exposição.
Outros tempos elas usavam biquínis, que deixavam à mostra curvas e corpo. Aí, marmanjos maliciosos as viam como sedutoras. Culturalmente faz parte do imaginário perverso deles.
Bastaram alongar o tamanho do short alguns centímetros para que tudo se encaixasse em seus devidos lugares. Assim, o foco ficou canalizado naquilo que mais sabem fazer: jogar voleibol, sem que isso representasse perda de beleza e sensualidade.
Portanto, reconhecimento pela técnica refinada que exibem e não pelos dotes esculturais. Melhor assim.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Bração de fora no frio

Se de loucos todos nós temos um pouco, tenho que admitir lampejos de loucura ao contar, um a um, os debochadores que dispensam agasalhos naqueles dias frios de bater o queixo. Confesso que dá raiva deparar com senhoras exibindo braços descobertos, ignorando rajadas de vento. Uma delas, que levantou o bração para colocar o aparelho celular no ouvido, ainda cometeu o descuido de deixar sua bolsa aberta. Por sorte não foi assaltada.
Marmanjo é mais abusivo neste caso. Em vez de colete sob agasalhos para rebater a friagem, parece nos provocar com camisa de manga curta e aberta no peito. E nada de arrepio de frio. Que coisa!
Flagrantes dessa contradição foram registrados na gelada manhã do dia 20 de agosto em Campinas (SP). Chuva intermitente e queda brusca de temperatura eram convite para qualquer filho de Deus ou do Diabo permanecer enrolado em cobertor, não fosse o sagrado compromisso a cumprir.
Historicamente agosto não é mês chuvoso. Por isso fomos surpreendidos com esta abençoada chuva que lava a alma e varre a poluição, para alívio de pacientes asmáticos e de rinite.
A rigor, que inverno! Observe que os dados pluviométricos superam, e muito, as médias de julho e agosto, meses marcados, isso sim, por longa estiagem.
Portanto, diante desta confundível variação de inverno, cabe-nos finalizar parafraseando o imortal comunicador de televisão Abelardo Barbosa, o Chacrinha: “Palmas pra eles que eles merecem”. No caso específico, esses eles em questão são os desafiantes do frio.

Dopagem

Por Ariovaldo Izac

O amigo Guto, que integra a equipe de reportagem do site "Futebol Interior", me liga e pergunta o que posso falar sobre histórias de dopagem de jogadores do passado para finalizar um trabalho escolar de seu último ano de faculdade de jornalismo.

Disse que provavelmente não fosse a pessoa mais indicada para abordagem do tema, que minhas informações ficaram circunscritas a uma dezena de exemplos, embora seja voz corrente que o tal de gluco corria solto entre boleiros do passado.

Em todo caso, com a insistência do colega, me comprometi a redigir aquilo que sabia, sem citação de qualquer nome.

Lembrei inicialmente que um bom gancho é citar o reflexo negativo de substâncias dopantes em usuários das décadas passadas. Nos anos 60 e 70, quando não havia fiscalização rigorosa sobre doping, era comum atletas compartilharem a mesma agulha para a droga injetada conhecida como gluco. Na época, sequer cogitava-se a hipótese de contaminação. Posteriormente, alguns foram surpreendidos com a transmissão da hepatite C e tem gente de média idade morrendo por aí (não vamos citar nomes).
Neste quesito, dá pra ouvir médicos infectologistas pra falar dos riscos de doenças transmissíveis. Apesar da eficiência do transplante de fígado, é difícil conseguir a doação. O banco desse órgão é escasso e a fila imensa.
Além de drogas injetáveis, havia abuso da "laranjada", droga ingerida e que igualmente servia de estimulação. Substâncias dopantes também eram adicionadas no café da manhã de atletas, em dias de jogos, preparadas por treinadores. Veja que quem deveria ser exemplo dava mau exemplo.
A intenção era manter o jogador aceso e estimular um melhor rendimento físico durante as partidas. Boa parte da boleirada até gostava. Dizia-se que o atleta ficava alucinado.
Houve casos em que o tiro saiu pela culatra. Teve boleiro que ficou ligadão, falante, mas perdeu a concentração no jogo em si e o rendimento técnico foi pífio.
Em um dos casos, boleiros foram estimulados à ingestão da mistura de pó de guaraná ao mel, tudo bem diluído. Provavelmente isso nada tinha a ver com a coordenação motora dos jogadores, mas resultava em efeito psicológico. A boleirada corria mais.
Quando a exigência de exame antidoping foi intensificada, atletas passaram a relacionar remédios ingeridos até 72 horas precedendo as partidas.
Certa ocasião, em jogo entre Corinthians o Bahia, em Salvador, um jogador corintiano havia relacionado um medicamento antigripal proibido pela comissão antidoping, desconhecendo tal proibição.
O remédio não influencia no rendimento físico, mas ao constatar o fato o médico do Corinthians, preventivamente, tirou o atleta do jogo justificando o motivo.
Há outros casos similares, com o diferencial de que o atleta acaba descartado do jogo correspondente. Aí, médicos conchavam com treinadores algum tipo de desculpa esfarrapada e a mídia é enrolada.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

NOVO GOLPE NAS ESTRADAS

E-MAIL ENVIADO PELO AMIGO BORGINHO, EX-FUNCIONÁRIO DA BOSCH-CAMPINAS

Cuidado, novo golpe! Você está na estrada quando alguém em um outro
carro dá sinal sobre um problema no seu carro, e segue adiante..
Você acredita que é alguém bem intencionado e, vendo que o carro foi embora, você pára no acostamento para ver o que há de errado.
- NÃO PARE !!!!.- Nesse momento, outro carro que estava seguindo você, e você não percebeu, pára logo atrás. Você é pego completamente desprevenido pelos comparsas que estão nesse carro.
A Polícia Rodoviária informa que se trata de uma quadrilha bem organizada, que já está agindo há algum tempo, e que não está conseguindo pegar.
Cuidado, não caia nesse golpe. NÃO PARE. Se for o caso, espere até chegar a um posto ou restaurante, ou peça ajuda à polícia, pelo celular.
Por favor, repasse essa informação aos seus contatos.

Proposta para esporte amador municipal

Vésperas de eleições municipais, os discursos de prefeituráveis se repetem sobre propostas, principalmente para as áreas de Educação, Saúde e Segurança. É raro qualquer candidato fazer citação sobre esporte e justamente por isso elencamos propostas exeqüíveis para que os munícipes tenham no esporte um suporte de auxílio à Educação, Saúde e Segurança.
Como agente de interação, o esporte propicia ganho no processo educacional de crianças e adolescentes. Também é inquestionável o benefício que provoca à Saúde. Em qualquer faixa etária, o esporte é um agente preventivo à Saúde. Hoje, com competições de futebol para ‘atletas’ que completaram 50 anos, observa-se que ainda esbanjam energia e, conseqüentemente, descartam atendimento médico rotineiramente.
O esporte abre portas para recuperação de menores delinqüentes, desde que sejam migrados para a cultura esportiva, desde que descubram valores de cidadania com a prática esportiva.
Com visão pluralista do esporte, sugerimos amplo debate sobre os itens que seguem.
1 – Considerando-se que os clubes - quer se agrupem em forma de centros comunitários ou associações de amigos de bairros - desenvolvem função social no agrupamento de associados; considerando-se que não têm finalidade lucrativa, reivindicam lei municipal isentando-os do pagamento de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
2 – Considerando-se que a prolongada estiagem na estação do inverno prejudica a conservação dos gramados de futebol, entidades é sugerida a criação de lei municipal que permita perfuração de poços artesianos, semi-artesianos ou caipiras em clubes, praças esportivas municipais e comunidades, visando água em abundância em qualquer estação do ano.
3 – Considerando-se a extrema dificuldade para auto-sustentação de clubes essencialmente de futebol e comunidades esportivas, sugere-se discussão e implantação do projeto ‘Bolão do Amador’, uma espécie de loteria esportiva, desde que não se viole dispositivo constitucional. O bolão teria programação de 10 ou 13 jogos, nos moldes do programa mantido pela Caixa Econômica Federal. Caberia às prefeituras a incumbência de negociação com a Receita Federal e poderes constituídos para viabilização do projeto. Assim, os clubes seriam cotistas do rateio oficial, que resultaria em parcela significativa para a sua manutenção.
4 – Visando o fortalecimento de clubes e comunidades esportivas, propõem-se a designação de um período do ano exclusivamente para campeonatos internos de futebol em clubes ou associações, em todas as categorias, com respaldo de departamentos de Esporte de prefeituras. As comunidades - monitoradas pelo departamento de Esporte - os organizariam com receita de associados de clubes e comunidades.
5 – A organização de comunidades implicaria em mudança de cultura no esporte amador das cidades. As sedes sociais de associações teriam atividades
programadas também para mulheres e crianças, transformando-se em abrigo familiar.
6 – Com a presença da família nas associações, haverá incentivo para campeonatos de diversas modalidades esportivas, como basquete, vôlei, tênis, bocha e esportes de mesa. Com o crescimento da demanda em clubes e comunidades esportivas, pode-se projetar um programa de marketing de forma que médios e grandes anunciantes também exponham sua logomarca em pontos estratégicos de clubes ou alambrados de campo de futebol.
7 – Propõem-se, ainda, interação guardas municipais, clubes e associações, de forma que viaturas percorram itinerários previamente definidos, visando maior segurança de todos. Informações gerais sobre segurança seriam centralizadas em um posto de plantão da Guarda Municipal, interagindo com a Polícia Militar.
8 – Programa esportivo segmentado para a Terceira Idade de departamentos de Esportes de prefeituras carece de reciclagem, de forma que contemple um universo significativamente superior de pessoas. Se hoje as atividades se restringem basicamente às praças esportivas de prefeituras, a proposta é expandi-las para centros comunitários e clubes estruturados também. Com um organograma de atividades bem definido, é possível combater o ócio inerente à Terceira Idade. Pede-se, também, que seja reservado uma praça esportiva mantida pelas prefeituras para que ‘atletas’ que completaram ou tenham mais de 50 anos possam participar de ‘peladas’ de futebol e quadras de múltiplo uso em dias úteis da semana.
9 – As entidades reivindicam reciclagem na proposta editorial de rádios mantidas pela prefeitura – com a finalidade de que o desporto das cidades possa ganhar um espaço ora negado para divulgação de suas atividades esportivas e sociais.
10 – Visando manutenção anual de campos de futebol, é sugerido que se crie um viveiro de grama em área pertencentes à prefeitura, com a produção de placas de grama repassadas posteriormente aos clubes durante o período chuvoso, quando é procedido replantio e reparo dos gramados.
11 – Reconhecendo as dificuldades para construção de novos campos de futebol, reivindica-se a construção de uma praça esportiva municipal a cada ano e um projeto integrado de recuperação de campos, de forma que as prefeituras coloquem à disposição dos clubes sua estrutura de homens, veículos e máquinas.
12 – Entidades esportivas propõem a realização de duas olimpíadas por ano para crianças e adolescentes carentes, e crianças e adolescentes abandonados. A complexidade do projeto implica em estimular as respectivas faixas etárias ao cumprimento de atividades esportivas. logicamente monitoradas por professores de departamentos de Esportes de prefeituras e voluntários de clubes e associações. Propõe-se que simultaneamente seja construído um barracão para abrigá-los em oficinas diversas. Assim, poderão receber noções básicas de profissões como marcenaria, pintura, funilaria, serviços elétricos e mecânicos de auto, etc. Paralelamente, além da equipe de psicólogos, sociólogos e assistentes sociais, desportistas em geral se incumbiriam de proferir palestras com objetivo profícuo de ajudá-los no processo de recuperação.
13 – Criação de um jornal impresso semanal, com linha editorial voltada essencialmente ao desporto da cidade, custeado parcialmente pela prefeitura em forma de espaço publicitário. A medida visa reparar o espaço descartado pela mídia impressa das cidades.
14 – Criar um conselho do desporto – comissão mista com membros de prefeitura e clubes – cuja atribuição essencial seria fiscalizar e cobrar o cumprimento do cronograma previamente definido.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Raiz sertaneja

Virou moda intérpretes da música sertaneja recorrerem a grandes sucessos do passado, da genuína música raiz. Foi assim com Daniel e o Reino Encantado, com as batizadas duplas dos universitários - César Menotti e Fabiano, Victor e Léo; e recentemente com álbum regional dos veteranos Chitãozinho e Xororó.
Louve-se a intenção de artistas em resgatar e imortalizar grandes sucessos para um público jovem que os desconhecia. Há, porém, um reparo a se fazer: por que composições interpretadas pelos memoráveis Jacó e Jacozinho , ou Palmeira e Biá raramente estão inseridas nesse contexto?
Jacó e Jacozinho gravaram “pérolas” que poderiam ser mostradas novamente em outras vozes. Palmeira e Biá interpretavam fielmente a linguagem do homem do campo, sentiam o cheiro da relva, dos animais, e ignoravam a flexibilização do radical do verbo. Assim, o “nós vai” soava com naturalidade naquelas gargantas de ouro, que tinham como companheiras a gostosa batida do violão.
Fica aqui, portanto, a sugestão.

domingo, 16 de agosto de 2009

Contra Israel

É dispensável qualquer discussão sobre a competência da Orquestra Filarmônica de Israel, regida pelo maestro Zubin Mehta. O que se contesta é a incursão dela no Brasil, especificamente em Paulínia, interior de São Paulo.
Oras, podem questionar o que tem a ver alhos com bugalhos. É natural a argumentação de que os músicos israelenses não têm que pagar a “conta” de uma política de genocídio provocada por seus governantes.
Tudo bem. Convenhamos que cada um é cada um, mas é preciso que se mostre, de alguma maneira, nossa indignação com a irracionalidade do Estado de Israel, naturalmente de forma pacífica. E uma ferramenta democrática de manifestação seria o boicote ao evento. Israel precisa atestar que reprovamos suas atrocidades e uma das chances de demonstração seria neste evento internacional.
Se o governo de Israel massacra o oprimido povo da Palestina com sua potente artilharia bélica, é linha de raciocínio coerente que nos solidarizemos com nossos indefesos irmãos na briga por causa justíssima: garantia de um legítimo território à sua população. Portanto, encaixa-se perfeitamente o repúdio à política odiosa dos israelenses.
Frequentemente bombas arrasadoras são atiradas em povoados palestinos, refletindo em destruição de casas, prédios, e mortes de inocentes. Imagens de bombardeios aéreos e incursões terrestres com retroescavadeiras atropelando “obstáculos” à sua frente correm o mundo. São operações militares sanguinárias, assassinas, e tudo feito impunemente aos olhos daqueles que se julgam defensores dos direitos humanos. E quando os insaciáveis não matam, aleijam. Quando não se vê corpos de palestinos espalhados nos escombros, flagra-se crianças com pernas e braços mutilados pelo fogo inimigo.
Isso choca pessoas sensíveis, solidárias. Aquela “arena” nos remete ao histórico bíblico do pequeno Davi contra o gigante Golias. O diferencial é que os sofridos palestinos não têm a certeira pontaria de Davi para num só golpe, com uma pedra, derrubar o opositor. Assim, “armados” precariamente com pedras e estilingues, padecem. É covardia o enfrentamento com soldados israelenses protegidos em tanques blindados.
Faz-se necessária esta reflexão para que repudiemos, de alguma forma, a raivosa política militar de Israel. Logo, quem encarna o sentimento daquele pisoteado povo palestino engrossa a corrente de boicote a qualquer produção artística, cultural e esportiva de Israel, para não se aprofundar nas relações comerciais.
Já que não dispomos de ferramentas diplomáticas de um Ministério das Relações Exteriores para radicalizar posições, uma das hipóteses facultada é a arma do boicote a eventos do gênero.
Divergimos, por conseguinte, da política de patrocínio desse concerto, especificamente a parte da parceria que compete ao poder público. Afinal, injetam nosso dinheiro em promoções culturais que no mínimo dividem opiniões. Convém ressaltar que o governo federal foi partícipe de cotas de patrocínio deste concerto. A propósito: quanto gastou?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

'Guspe'

Por Ariovaldo Izac

Um dia, sei lá quando, um gaiato começou a desejar boa sorte para um jogador de futebol do time adversário e a moda pegou.
O problema é que boleiros profissionais e amadores ainda não se deram conta da demagogia do bordão. Ainda bem que falam inconscientemente. Desejar boa sorte ao adversário é projetar que saia satisfeito, com a vitória.
Ah, mas podem afirmar que a boa sorte desejada é para que o adversário não se machuque. Aí, meu caro, não é uma questão de sorte. Aproveite as habituais orações que precedem jogos e peladas de futebol para, mentalmente, pedir ao Criador que proteja indistintamente todos os envolvidos na porfia. Gostou do termo porfia? É obsoleto. Pra quem não sabe, é sinônimo de partida.
Veja outro despropósito: um homem aparentando pouco mais de 40 anos de idade, com traje de executivo, caminha distraído ao lado de duas mulheres, provavelmente companheiras de trabalho.
Distraído porque os braços se cruzam nas costas e, entre as mãos, carrega um aparelho celular sofisticado. Claro que a posição favorece bastante o delinqüente e, por sorte, só pessoas de bem andaram ao seu redor, e saiu ileso no percurso até um restaurante.
O erro crasso chamou mais atenção que a exposição do celular. Na conversa com as moças, sobre papéis mal colados, saiu com essa “pérola”: “Acho que colaram aquilo com ‘guspe’.
Ah, doeu os tímpanos. ‘Guspe’ é demais para alguém que passava facilmente por executivo, com camisa social de linho. Portanto, mais uma vez prevalece o velho dito de que “quem vê cara não vê coração”. Ou não julgue uma pessoa apenas pela aparência. Quantos e quantos barbudos e maltrapilhos sabem muito bem usar metáforas de Rui Barbosa em conversas informais!
Já que o tema é ortografia, de fato não dá pra engolir essa reforma ortográfica que suprime o acento agudo em ditongos decrescentes como idéia, bóia, etc... A sílaba tônica é tão característica que fica sem graça não ser acentuada.
E por falar em bóia, dias atrás lembrei do sentido figurado ou metafórico que representava: comida. “Tá na hora de pegar a bóia”, dizia um operário da construção civil para um companheiro de obra.
Como você percebeu, abusivamente insisto em ainda acentuar os ditongos decrescentes. E vou agir assim até o último prazo para a adoção integral da reforma ortográfica, ou quando editores em consonância com a linha editorial do veículo de comunicação exigirem correção nos textos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

"O time se houve bem..."

Assunto futebol fica por conta do Blog do Ari, mas de vez em quanto a gente abre exceção, principalmente quando há correlação com outro assunto.
Após a suadíssima vitória do Santos F.C. sobre o Náutico, na noite do dia 29 de julho, em Recife, pelo Campeonato Brasileiro, o técnico santista, Vanderlei Luxemburgo, que ganha um caminhão de dinheiro, disse uma frase corriqueira no futebol: “Nosso time se houve bem”.
Tenho lá minhas dúvidas se, mesmo metaforicamente, é admissível o uso do verbo haver na terceira pessoa do singular para citar que o time esteve bem.
Ah, mas o Vanderlei Luxemburgo não ganha pra falar certo ou errado, podem argumentar. Seu negócio é preparar bem seus jogadores, devem acrescentar.
Concordo. Mas especificamente no meio do futebol vê-se uma enxurrada de frases feitas e copiadas exageradamente. E a frase da moda é focar. “Vamos nos focar no próximo adversário...”, ou, então, flexibilizando-se o verbo, coisas do tipo: “Nosso time estava focado...”, “Estamos focando naquele objetivo traçado...”.
Entendeu?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Fogos, relação com futebol

Aquela tonelada de fogos de artifícios encalhada com a derrota do Cruzeiro para o Estudiantes na final da Libertadores, dia 15 de julho, foi usada no jogo subseqüente contra o Corinthians, no Estádio Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro, no show pirotécnico ainda permitido em estádios.
Estampidos provocados por rojões são um aviso, entre outras coisas, que algum time de futebol marcou gol, que o telespectador está vibrando com a vantagem de seu clube. Por questão de segurança, desde meados da década de 70, proibiram o acesso de torcedores com fogos nos estádios. Eles se transformaram em armas nos confrontos de torcidas rivais.
A rigor, na década de 40, quando as torcidas tinham comportamento civilizado, no lugar de alambrados via-se cercas de madeira de 1m de altura. Nos anos 50, nem era preciso revistar torcedores nos portões de entrada dos estádios. Nos anos 80, foi necessário um pacote de medidas para garantir segurança durante os jogos. Impediram acesso de bandeira com mastro inferior a 4m de altura, instrumento de percussão, guarda-chuva de ponta e até radinho de pilha, uma das medidas posteriormente revogada.
Quando o torcedor fazia festa nos campos soltando rojões, pessoas nas imediações acompanhavam a contagem dos gols pelo barulho dos fogos. Se ensurdecedor, a comemoração era do time da casa. Se discreto, a alegria era do clube visitante.
Que foguetório! Aquela fumaceira deixava tudo embaçado. Pena que alguns gaiatos mal sabiam manusear rojões e sofriam queimaduras. Estouros para baixo assustavam torcedores ao redor e abria-se um “clarão” na arquibancada. Algumas vítimas sofriam mutilações nos dedos, danos nos olhos e até surdez.
Bons tempos em que os jogadores só subiam aos gramados minutos antes das partidas, plenamente aquecidos nos vestiários. Depois, preparadores físicos importaram da Europa a metodologia de aquecê-los nos gramados, antes de se uniformizarem, e ficou sem graça a saudação posterior aos torcedores.
Naquela época, editores de jornais não priorizavam imagens em movimento. Publicavam foto posada do time da casa, restrita aos 11 jogadores e o massagista, posicionado sempre à esquerda, entre os agachados. E agachava-se literalmente, com a parte posterior da coxa encostada na panturrilha. Hoje, nem se pode dizer que a turma da frente fica agachada, já que sequer dobra o joelho.
Se nos estádios a rigorosa fiscalização sobre fogos inibe torcedores a burlarem a proibição, fora deles os abusos continuam. A maioria lembra do confronto entre vascaínos e corintianos em 2007, na capital paulista, resultando na morte de Clayton Ferreira de Souza, de 27 anos. E sabem quais as armas dos briguentos? Barra de ferro, faca e rojão.
Tal como aqui, na Alemanha torcedores usam rojões como arma, com Eintracht Frankfurt e Nuremberg multados em 50 e 25 euros, respectivamente. Pior na Áustria, porque o goleiro Georg Koch, do Rapud, perdeu parte da audição após ser atingido no ouvido por fogos de

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Dinheiro e seus sinônimos

Nos tempos ‘bicudos’ como este de crise financeira global, tem gente que fica de cabelo arrepiado quando lê ou ouve informações de salários estratosféricos, supostamente oferecidos para renomados homens de televisão mudarem de casa. Alardeiam que a TV Record teria proposto o gordo pagamento mensal de R$ 3 milhões para tirar Gugu Liberato do SBT. A atitude da apresentadora Eliana em trocar a grade domingueira da Record pelo SBT, por proposta financeira mais vantajosa, também gerou polêmica. E a troca de cadeiras nas emissoras de certo não vai parar por aí. Pois é: dinheiro, dinheiro, dinheiro...
Dinheiro é um troço tão importante que pode perfeitamente ser mensurado pela leva de sinônimos, a maioria criados décadas passadas por cabeças criativas.
Oras, quer caracterização mais simpática pra dinheiro que ‘bufunfa’! Claro que o dinheiro é representado por sinônimos dependendo das circunstâncias. Quem presta um servicinho por alguns minutos responde sem pestanejar para lhe darem um troco qualquer, quando indagado sobre o custo do trabalho.
Tem aqueles que pelo mesmo servicinho prestado deixam a critério do contratante pagar aquilo que julgar justo, e de repente se surpreendem com uma merreca.
Gíria por gíria, observa-se cascalho, tutu, fala verdade e grana como representantes do dinheiro. Gozado, por que cascalho, fragmento de rocha, é sinônimo de dinheiro? Aparentemente nada a ver.
Usa-se a palavra grana quando o sujeito está duro, ou seja, sem dinheiro. "Tô sem grana pra sair hoje à noite", tem sido uma compreensiva justificativa para sacrificar o sabadão.
A bandidagem também usa o linguajar grana às vítimas por ocasião de um assalto, e nem poderia ser diferente. “Mãos ao alto”, ou “mãos pra cima”, é o bordão autoritário do delinqüente para dominá-las, emendando com a indispensável ameaça: “Passa a grama aí".
Tutu, uma gíria fora de moda, já foi referência sobre pessoas endinheiras: "Fulano está com o tutu", diziam décadas passadas.
Na perdição por dinheiro, que tal refletir sobre a frase que segue, extraída sei lá de onde: “Dinheiro é muito bom, mas nada compra as lambidinhas que minha gata dá no meu nariz”. Trocado em miúdos, dinheiro não é tudo.