sábado, 29 de agosto de 2009

Aperto de mão

Em duas circunstâncias, por diferentes motivos, deixei de estender o braço para, reciprocamente, cumprimentar pessoas. Surpreendidas com minha reação, tiveram, constrangidas, de recolher as mãos à posição original.
Desculpem. Não cabe aqui detalhar as razões. O certo é que as pessoas em questão provocaram algum tipo de desagrado, gerando, portanto, minha reprovação.
Eis a questão: fui transparente ao extremo mostrando desagrado com as citadas pessoas ou pratiquei um ato de indelicadeza, contrariando os bons costumes?
Dizem que não existe meia verdade e que tradicionalmente a discussão gira em torno de duas verdades, até se apurar aquela que é absoluta. Neste caso singular, provavelmente as duas sejam aceitas.
A recusa de um aperto de mão expressava um gesto de sinceridade. Afinal, por que teria de, cordialmente, cumprimentá-las se não era aquele o meu desejo?
Naturalmente que o outro lado da questão nos remete a uma análise mais diplomática e indica reprovação de tal gesto. Tem como justificativa educação e bons costumes como preceitos básicos a qualquer cidadão. É a tal da etiqueta, do politicamente correto.
Veja que situação complicada! Para o prevalecimento dos bons costumes teria eu, mesmo contrariado, que retribuir o aperto de mão? Convenhamos que para o dissimulado uma tarefa facílima. Com a maior “cara de pau” transforma aperto de mãos em abraço, e ainda acrescenta um sorriso falso. Mas...
Não. Absolutamente. Prefiro a frieza da transparência e arcar com as conseqüências. Questão de berço, da absorção de rigorosa educação paternal. Jamais me curvaria a hipocrisia em nome do politicamente correto. Encaixa-se aí o duradouro ditado que mais vale vender banana a se rebaixar, com todo respeito a produtores e comerciantes de banana.
No caso em questão, estender a mão a pessoas indesejáveis é praticar violência contra si mesmo.

Nenhum comentário: