O que governos federal, estadual e municipal gastam em publicidade não está no gibi. É o dinheiro do povo, manifestado em forma de impostos, que se espalha de grandes conglomerados a pequenas mídias de comunicação. É um gasto que independe da vontade da população, na maioria das vezes contrária. Despejam esse dinheirão para propagar realizações do poder executivo.
São mensagens publicitárias que falam bem do respectivo governo e, por tabela, projetam imagens de presidente da República, governador e prefeito.
Essa prática deveria ser abolida. Quando o eleitor deposita um voto de confiança no governante, espera dele investimentos em saúde, educação e segurança. Projeta que o poder executivo trabalhe para melhorar a vida das pessoas.
Está claro, portanto, que realizações de governos não passam de obrigação, e não de favor. Paradoxalmente, o político torra dinheiro público para mostrar aquilo que fez, com objetivo de capitalização política.
Pior é que esta verba publicitária não deveria ser atrelada a qualquer tipo de conchavo. Deveria. Na prática, muitas vezes, é uma velada indicação de “cala boca” ao veículo de comunicação. Em alguns casos, há uma relação de cumplicidade deplorável. À medida que as tidas verbas são despejadas nas mídias, vê-se tratamento diferenciado, complacente, para não dizer subserviente ao político injetor de propaganda. Tudo para não se perder a “boquinha” ou “bocona”.
É como se no bojo dessas “abençoada” receitas estivesse implícito um aviso que outras virão dependendo da linha editorial definida por cada um. Quem entende a linguagem da flexibilização pode esperar pela reciprocidade. Quem se dispuser a linha editorial contundente, naturalmente não será surpreendido com o velho trinco no cofre público.
Há casos em que a autocensura já está implícita em veículos de comunicação, independente de recadinhos lá de cima. Então, dá-se um tratamento editorial de forma que a crítica seja abrandada, que denúncias de desmandos do poder executivo ganhem contornos que impliquem na redução do impacto. E por aí vai.
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