quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Dopagem

Por Ariovaldo Izac

O amigo Guto, que integra a equipe de reportagem do site "Futebol Interior", me liga e pergunta o que posso falar sobre histórias de dopagem de jogadores do passado para finalizar um trabalho escolar de seu último ano de faculdade de jornalismo.

Disse que provavelmente não fosse a pessoa mais indicada para abordagem do tema, que minhas informações ficaram circunscritas a uma dezena de exemplos, embora seja voz corrente que o tal de gluco corria solto entre boleiros do passado.

Em todo caso, com a insistência do colega, me comprometi a redigir aquilo que sabia, sem citação de qualquer nome.

Lembrei inicialmente que um bom gancho é citar o reflexo negativo de substâncias dopantes em usuários das décadas passadas. Nos anos 60 e 70, quando não havia fiscalização rigorosa sobre doping, era comum atletas compartilharem a mesma agulha para a droga injetada conhecida como gluco. Na época, sequer cogitava-se a hipótese de contaminação. Posteriormente, alguns foram surpreendidos com a transmissão da hepatite C e tem gente de média idade morrendo por aí (não vamos citar nomes).
Neste quesito, dá pra ouvir médicos infectologistas pra falar dos riscos de doenças transmissíveis. Apesar da eficiência do transplante de fígado, é difícil conseguir a doação. O banco desse órgão é escasso e a fila imensa.
Além de drogas injetáveis, havia abuso da "laranjada", droga ingerida e que igualmente servia de estimulação. Substâncias dopantes também eram adicionadas no café da manhã de atletas, em dias de jogos, preparadas por treinadores. Veja que quem deveria ser exemplo dava mau exemplo.
A intenção era manter o jogador aceso e estimular um melhor rendimento físico durante as partidas. Boa parte da boleirada até gostava. Dizia-se que o atleta ficava alucinado.
Houve casos em que o tiro saiu pela culatra. Teve boleiro que ficou ligadão, falante, mas perdeu a concentração no jogo em si e o rendimento técnico foi pífio.
Em um dos casos, boleiros foram estimulados à ingestão da mistura de pó de guaraná ao mel, tudo bem diluído. Provavelmente isso nada tinha a ver com a coordenação motora dos jogadores, mas resultava em efeito psicológico. A boleirada corria mais.
Quando a exigência de exame antidoping foi intensificada, atletas passaram a relacionar remédios ingeridos até 72 horas precedendo as partidas.
Certa ocasião, em jogo entre Corinthians o Bahia, em Salvador, um jogador corintiano havia relacionado um medicamento antigripal proibido pela comissão antidoping, desconhecendo tal proibição.
O remédio não influencia no rendimento físico, mas ao constatar o fato o médico do Corinthians, preventivamente, tirou o atleta do jogo justificando o motivo.
Há outros casos similares, com o diferencial de que o atleta acaba descartado do jogo correspondente. Aí, médicos conchavam com treinadores algum tipo de desculpa esfarrapada e a mídia é enrolada.

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