É dispensável qualquer discussão sobre a competência da Orquestra Filarmônica de Israel, regida pelo maestro Zubin Mehta. O que se contesta é a incursão dela no Brasil, especificamente em Paulínia, interior de São Paulo.
Oras, podem questionar o que tem a ver alhos com bugalhos. É natural a argumentação de que os músicos israelenses não têm que pagar a “conta” de uma política de genocídio provocada por seus governantes.
Tudo bem. Convenhamos que cada um é cada um, mas é preciso que se mostre, de alguma maneira, nossa indignação com a irracionalidade do Estado de Israel, naturalmente de forma pacífica. E uma ferramenta democrática de manifestação seria o boicote ao evento. Israel precisa atestar que reprovamos suas atrocidades e uma das chances de demonstração seria neste evento internacional.
Se o governo de Israel massacra o oprimido povo da Palestina com sua potente artilharia bélica, é linha de raciocínio coerente que nos solidarizemos com nossos indefesos irmãos na briga por causa justíssima: garantia de um legítimo território à sua população. Portanto, encaixa-se perfeitamente o repúdio à política odiosa dos israelenses.
Frequentemente bombas arrasadoras são atiradas em povoados palestinos, refletindo em destruição de casas, prédios, e mortes de inocentes. Imagens de bombardeios aéreos e incursões terrestres com retroescavadeiras atropelando “obstáculos” à sua frente correm o mundo. São operações militares sanguinárias, assassinas, e tudo feito impunemente aos olhos daqueles que se julgam defensores dos direitos humanos. E quando os insaciáveis não matam, aleijam. Quando não se vê corpos de palestinos espalhados nos escombros, flagra-se crianças com pernas e braços mutilados pelo fogo inimigo.
Isso choca pessoas sensíveis, solidárias. Aquela “arena” nos remete ao histórico bíblico do pequeno Davi contra o gigante Golias. O diferencial é que os sofridos palestinos não têm a certeira pontaria de Davi para num só golpe, com uma pedra, derrubar o opositor. Assim, “armados” precariamente com pedras e estilingues, padecem. É covardia o enfrentamento com soldados israelenses protegidos em tanques blindados.
Faz-se necessária esta reflexão para que repudiemos, de alguma forma, a raivosa política militar de Israel. Logo, quem encarna o sentimento daquele pisoteado povo palestino engrossa a corrente de boicote a qualquer produção artística, cultural e esportiva de Israel, para não se aprofundar nas relações comerciais.
Já que não dispomos de ferramentas diplomáticas de um Ministério das Relações Exteriores para radicalizar posições, uma das hipóteses facultada é a arma do boicote a eventos do gênero.
Divergimos, por conseguinte, da política de patrocínio desse concerto, especificamente a parte da parceria que compete ao poder público. Afinal, injetam nosso dinheiro em promoções culturais que no mínimo dividem opiniões. Convém ressaltar que o governo federal foi partícipe de cotas de patrocínio deste concerto. A propósito: quanto gastou?
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