sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

‘Esmagrecer’

Na maioria das vezes a espontaneidade das pessoas é algo cativante. Final de ano, durante a tradicional produção de mensagens de ouvintes sobre o desejo pessoal para 2011, da Rede Bandeirantes de Rádio, uma das entrevistadas, entusiasmadíssima, escorrega na língua portuguesa e projeta ‘esmagrecer’. Sem sacanagem, achei o máximo o neologismo ‘esmagrecer’. Confesso que também adotei o inventado verbo ‘ponhar’, e o conjugo prazerosamente no presente do indicativo nas conversas informais com o pedreiro Cidão: “Eu ponhei o martelo em cima do muro”, foi um dos avisos.

Não condene quem enche a boca para conjugar incorretamente o verbo trazer no presente do indicativo. O sertanejo semianalfabeto diz ‘truci’ em vez de trouxe, e nem por isso há motivo para descriminá-lo ou ironizá-lo. Também não zombe dele quando criar o trissílabo ‘abroba’ no lugar do correto polissílabo abóbora.

Minha falecida mãe, que mal concluiu o primeiro ano do primário, insistia em pronunciar incorretamente o substantivo comum cachorra. Ela abusava da vogal aberta ‘o’, na sílaba átona ‘chor’, alterando a fonética. E quando maldosamente eu perguntava sobre o relacionamento com a vizinha japonesa, a resposta doía os tímpanos: “Eu ‘se’ dou bem com a japonesa”.

Não espezinhem aqueles que por alguma razão não puderam enfrentar sala de aula e arranham a língua pátria, sob pena de o ignorante em questão ser você. Com certeza esses semianalfabetos jamais dariam o péssimo exemplo de legislar em causa própria como fizeram parlamentares do Senado e Câmara Federal, que vergonhosamente aumentaram seus próprios salários adotando índice descomunal.

É isto aí.

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