Na maioria das vezes a espontaneidade das pessoas é algo cativante. Final de ano, durante a tradicional produção de mensagens de ouvintes sobre o desejo pessoal para 2011, da Rede Bandeirantes de Rádio, uma das entrevistadas, entusiasmadíssima, escorrega na língua portuguesa e projeta ‘esmagrecer’. Sem sacanagem, achei o máximo o neologismo ‘esmagrecer’. Confesso que também adotei o inventado verbo ‘ponhar’, e o conjugo prazerosamente no presente do indicativo nas conversas informais com o pedreiro Cidão: “Eu ponhei o martelo em cima do muro”, foi um dos avisos.
Não condene quem enche a boca para conjugar incorretamente o verbo trazer no presente do indicativo. O sertanejo semianalfabeto diz ‘truci’ em vez de trouxe, e nem por isso há motivo para descriminá-lo ou ironizá-lo. Também não zombe dele quando criar o trissílabo ‘abroba’ no lugar do correto polissílabo abóbora.
Minha falecida mãe, que mal concluiu o primeiro ano do primário, insistia em pronunciar incorretamente o substantivo comum cachorra. Ela abusava da vogal aberta ‘o’, na sílaba átona ‘chor’, alterando a fonética. E quando maldosamente eu perguntava sobre o relacionamento com a vizinha japonesa, a resposta doía os tímpanos: “Eu ‘se’ dou bem com a japonesa”.
Não espezinhem aqueles que por alguma razão não puderam enfrentar sala de aula e arranham a língua pátria, sob pena de o ignorante em questão ser você. Com certeza esses semianalfabetos jamais dariam o péssimo exemplo de legislar em causa própria como fizeram parlamentares do Senado e Câmara Federal, que vergonhosamente aumentaram seus próprios salários adotando índice descomunal.
É isto aí.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
O voo de 2010
É voz corrente que esse 2010 voou, como se calendário tivesse asa. Dizem que ontem foi janeiro, que o fevereiro do Carnaval passou bem ligeiro e quando acordamos estávamos presenteando nossas mães em maio. Depois vieram a perda da Copa do Mundo na África do Sul em junho e férias letivas de julho. O agosto do cachorro louco virou cisco num piscar de olhos e repentinamente dezembro chegou. Agora é esperar a ressaca do final de ano, finalizar a demagógica brincadeira de amigo secreto - por vezes com presente forçado ao inimigo ou chefe intolerável -, se desvencilhar do procedimento protocolar de feliz Natal e aguardar um outro janeiro que está aí batendo às portas.
O dezembro em curso é marcado pela data magna do Natal, festas, comilanças e corações solidários. Nós, ocidentais, reverenciamos o nascimento de Cristo, o prometido Messias, no dia 25, enquanto os orientais até zombam de nossa fé no cristianismo. A maioria dos asiáticos tem devoção por Buda e Alá. Lá prevalece os muçulmanos. Assim, o 25 de dezembro deles é ‘dia de branco’, de ralação de sol a sol. Lá, em apenas alguns países, o cristianismo só engatinha.
Seja como for, o que vale é a fé em um ser supremo, independente da classificação. Na China, por exemplo, além do calendário apontar dia útil de trabalho no dia 25 de dezembro, o trabalhador enfrenta carga horária semanal que supera 50 horas e ainda conta nos dedos a relação de feriados, que se restringem a 1º de janeiro, 5, 6 e 7 de fevereiro, 1º de maio e finaliza com os dias 1º e 2 de outubro.
O dezembro em curso é marcado pela data magna do Natal, festas, comilanças e corações solidários. Nós, ocidentais, reverenciamos o nascimento de Cristo, o prometido Messias, no dia 25, enquanto os orientais até zombam de nossa fé no cristianismo. A maioria dos asiáticos tem devoção por Buda e Alá. Lá prevalece os muçulmanos. Assim, o 25 de dezembro deles é ‘dia de branco’, de ralação de sol a sol. Lá, em apenas alguns países, o cristianismo só engatinha.
Seja como for, o que vale é a fé em um ser supremo, independente da classificação. Na China, por exemplo, além do calendário apontar dia útil de trabalho no dia 25 de dezembro, o trabalhador enfrenta carga horária semanal que supera 50 horas e ainda conta nos dedos a relação de feriados, que se restringem a 1º de janeiro, 5, 6 e 7 de fevereiro, 1º de maio e finaliza com os dias 1º e 2 de outubro.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Aquela molecada do passado...
Dizem que bar também é cultura e desminta aí se puder. Em mesa de bar tudo acontece. Da mesma forma que você torce o nariz para as inconveniências de bêbados, se delicia com a bebida da sabedoria de pensadores e se saboreia com histórias do ‘arco da velha’.
De repente, entre um gole e outro de cerveja e outras ‘cositas' mais que queimam a goela, alguém sugere uma discussão sobre a atual geração de crianças e adolescentes comparada àquela vivida há mais de 40 anos. Primeiro a dissertação sobre estudos de psicologia indicando que as emoções de outrora não se diferenciavam das atuais, embora os costumes sejam diferentes.
Claro que o assunto rende comentários efervescentes da velha guarda, a maioria julgando que as gerações do passado viviam sucessivas emoções, que elas se caracterizavam com mais intensidade. Exemplos ilustrativos não faltam. Lembram que antigamente o moleque atingia o topo de uma árvore numa velocidade significativamente maior. Citam que a habilidade para se trançar os pés entre galhos era incomparável. Desenterram a obsoleta brincadeira de ‘soldado e ladrão’, quando o grupo dos ladrões desaparecia literalmente do posto central sem deixar pistas aos soldados até altas horas da noite. Recordam a astúcia para driblar antigos cobradores de bonde na cobrança de tarifa, assim como a capacidade para conviver com malandros sem absorver o mau exemplo de delinqüir.
Evidente que cada um dos saudosistas recapitulou experiências com brincadeiras de infância e adolescência. Naturalmente as principais lembranças canalizaram no prazer de se correr atrás de bola em campos de terra, por vezes esburacados. As peladas pareciam intermináveis nos finais de semana. Começavam no sábado à tarde e se prolongavam nas manhãs e tardes de domingo. E os ‘fominhas’ ainda cobravam uma vaguinha no cascudão.
Claro que nessa viagem ao passado foram recordados costumes, modos e comportamentos. Difícil explicitar quão delicioso foi reviver os tempos do modismo da calça ‘boca de sino’, sapato bico largo e salto médio, tamanco, mini blusa agarrada - que expunha a barriguinha do sujeito -, e camisa anarruga. A rigor, na época não faltavam espirituosos para definição de gírias que identificassem calça, camisa e sapato como beca, peita e bute, respectivamente. Também plagiava-se roqueiros com uso de cabelos soltos nos olhos, se lisos, ou volumosos, se crespos. E que adesão à vasta cabeleira black power! Garfos de madeira desembaraçavam os cabelos enroladinhos, na incontrolada busca do garoto pela notoriedade entre a mulherada, principalmente nos bailinhos em casa de família, embalados por samba e rock in rool. As músicas eram tocadas em aparelhos de som da inconfundível marca Sonata, em discos vinil, alguns deles avariados por agulhas que enroscavam e exigiam do sonoplasta um toque sutil na alça para fluxo da melodia.
Na época a cerveja estupidamente gelada não era a bebida preferida de consumo dos adolescentes. Rolava muita cuba livre, menta, leite de camelo e rabo de galo. Esses ingredientes ajudavam o jovem a vencer a timidez e injetavam coragem na tentativa de se convencer a estranha dama para a chamada ‘contra dança’. A hipótese de recusa era sempre a mais viável, e esse comportamento era definido como ‘tábua’. Claro que a ‘vítima’ era alvo de gozações dos colegas.
De repente, entre um gole e outro de cerveja e outras ‘cositas' mais que queimam a goela, alguém sugere uma discussão sobre a atual geração de crianças e adolescentes comparada àquela vivida há mais de 40 anos. Primeiro a dissertação sobre estudos de psicologia indicando que as emoções de outrora não se diferenciavam das atuais, embora os costumes sejam diferentes.
Claro que o assunto rende comentários efervescentes da velha guarda, a maioria julgando que as gerações do passado viviam sucessivas emoções, que elas se caracterizavam com mais intensidade. Exemplos ilustrativos não faltam. Lembram que antigamente o moleque atingia o topo de uma árvore numa velocidade significativamente maior. Citam que a habilidade para se trançar os pés entre galhos era incomparável. Desenterram a obsoleta brincadeira de ‘soldado e ladrão’, quando o grupo dos ladrões desaparecia literalmente do posto central sem deixar pistas aos soldados até altas horas da noite. Recordam a astúcia para driblar antigos cobradores de bonde na cobrança de tarifa, assim como a capacidade para conviver com malandros sem absorver o mau exemplo de delinqüir.
Evidente que cada um dos saudosistas recapitulou experiências com brincadeiras de infância e adolescência. Naturalmente as principais lembranças canalizaram no prazer de se correr atrás de bola em campos de terra, por vezes esburacados. As peladas pareciam intermináveis nos finais de semana. Começavam no sábado à tarde e se prolongavam nas manhãs e tardes de domingo. E os ‘fominhas’ ainda cobravam uma vaguinha no cascudão.
Claro que nessa viagem ao passado foram recordados costumes, modos e comportamentos. Difícil explicitar quão delicioso foi reviver os tempos do modismo da calça ‘boca de sino’, sapato bico largo e salto médio, tamanco, mini blusa agarrada - que expunha a barriguinha do sujeito -, e camisa anarruga. A rigor, na época não faltavam espirituosos para definição de gírias que identificassem calça, camisa e sapato como beca, peita e bute, respectivamente. Também plagiava-se roqueiros com uso de cabelos soltos nos olhos, se lisos, ou volumosos, se crespos. E que adesão à vasta cabeleira black power! Garfos de madeira desembaraçavam os cabelos enroladinhos, na incontrolada busca do garoto pela notoriedade entre a mulherada, principalmente nos bailinhos em casa de família, embalados por samba e rock in rool. As músicas eram tocadas em aparelhos de som da inconfundível marca Sonata, em discos vinil, alguns deles avariados por agulhas que enroscavam e exigiam do sonoplasta um toque sutil na alça para fluxo da melodia.
Na época a cerveja estupidamente gelada não era a bebida preferida de consumo dos adolescentes. Rolava muita cuba livre, menta, leite de camelo e rabo de galo. Esses ingredientes ajudavam o jovem a vencer a timidez e injetavam coragem na tentativa de se convencer a estranha dama para a chamada ‘contra dança’. A hipótese de recusa era sempre a mais viável, e esse comportamento era definido como ‘tábua’. Claro que a ‘vítima’ era alvo de gozações dos colegas.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
DEFESA DO BRINCO DE OURO E MOISÉS LUCARELLI
ESCREVI ESSE ARTIGO NO BLOG DO PARCEIRO JOÃO CARLOS DE FREITAS NO DIA 19 DE MARÇO DE 2008, QUANDO O PAPO DE VENDAS DOS ESTÁDIOS BRINCO DE OURO E MOISÉS LUCARELLI ESTAVAM NO AUGE
Meu negócio, é falar (áudio) de boleiros do passado, e não escrever. De repente, a gente se sente na obrigação de interpretar posições daqueles que não têm vozes, e gostariam de alardear aos quatro cantos de Campinas para sepultarem de vez essa hipótese de relegar os estádios Brinco de Ouro e Moisés Lucarelli, de Guarani e Ponte Preta, respectivamente.
Ah se o mestre Sérgio José Salvucci fosse vivo! Como jornalista identificado com as coisas da Ponte Preta, com certeza contestaria com veemência a iniciativa de conselheiros da Ponte para se trocar o Majestoso por uma arena. O mesmo se aplica ao também jornalista falecido João Monteiro, que ao observar a maquete do estádio do Guarani, há mais de 50 anos, a rotulou de um brinco, e de ouro, logo sugerindo o nome de Brinco de Ouro, aceito unanimemente.
Se querem invocar a modernidade, ficamos com conceitos supostamente ultrapassados. Se querem argumentar que o Guarani está atolado em dívidas e que o jeito é se desfazer do velho Brinco de Ouro, contra-argumentamos com a proposta alternativa de se fazer uso de parte do complexo poliesportivo para abrigar um conjunto de lojas ou shopping, sem jamais se conjecturar a demolição daqueles lances de arquibancadas construídos com suor, e que é uma das relíquias do clube.
Igualmente se aplica à Ponte. Se optarem transformar parte das paredes laterais externas em portas de aço para divisória de lojas, shopping, bares, restaurantes, etc, a muito custo ainda dá para engolir, mas mexer na estrutura singular das arquibancadas jamais.
Não bastasse todo processo histórico, arquitetônico e laços sentimentais dos torcedores com os seus respectivos estádios, deve-se considerar que ambos estão localizados em área relativamente central, com entorno viário apropriado para fluxo de veículos. A proximidade de terminais urbanos de ônibus facilita o percurso dos torcedores, que na maioria das vezes se deslocam a pé até os campos, após desembarcarem no centro da cidade.
Não esqueçamos que futebol é um esporte popular e muita gente da periferia usa o transporte coletivo para se deslocar aos campos. Alguém pensou no transtorno para o torcedor mandos de jogos de seus clubes no Jardim Eulina e distrito de Barão Geraldo? Difícil projetar se a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) remanejaria incontáveis itinerários de ônibus para atender a demanda de torcedores durante jogos em outros estádios. E mais: a estrutura viária no Jardim Eulina talvez não seja tão recomendável, considerando-se o estrangulamento de trânsito em alguns períodos na Rodovia Anhangüera, nas imediações do trevo da Bosch.
Se a modernidade é relegar o torcedor, é dificultar o acesso aos supostos novos estádios, fiquemos com a estrutura que está aí e com os costumes dos torcedores. Alguém perguntou ao pontepretano que invariavelmente “morde” o alambrado do Estádio Moisés Lucarelli, que se posiciona estrategicamente para xingar o bandeirinha, se ele topa “numa boa” trocar de ares?
Pra que arena multiuso? Eventos artísticos? Afinal, quando eventos de grande porte são agendados anualmente em
Meu negócio, é falar (áudio) de boleiros do passado, e não escrever. De repente, a gente se sente na obrigação de interpretar posições daqueles que não têm vozes, e gostariam de alardear aos quatro cantos de Campinas para sepultarem de vez essa hipótese de relegar os estádios Brinco de Ouro e Moisés Lucarelli, de Guarani e Ponte Preta, respectivamente.
Ah se o mestre Sérgio José Salvucci fosse vivo! Como jornalista identificado com as coisas da Ponte Preta, com certeza contestaria com veemência a iniciativa de conselheiros da Ponte para se trocar o Majestoso por uma arena. O mesmo se aplica ao também jornalista falecido João Monteiro, que ao observar a maquete do estádio do Guarani, há mais de 50 anos, a rotulou de um brinco, e de ouro, logo sugerindo o nome de Brinco de Ouro, aceito unanimemente.
Se querem invocar a modernidade, ficamos com conceitos supostamente ultrapassados. Se querem argumentar que o Guarani está atolado em dívidas e que o jeito é se desfazer do velho Brinco de Ouro, contra-argumentamos com a proposta alternativa de se fazer uso de parte do complexo poliesportivo para abrigar um conjunto de lojas ou shopping, sem jamais se conjecturar a demolição daqueles lances de arquibancadas construídos com suor, e que é uma das relíquias do clube.
Igualmente se aplica à Ponte. Se optarem transformar parte das paredes laterais externas em portas de aço para divisória de lojas, shopping, bares, restaurantes, etc, a muito custo ainda dá para engolir, mas mexer na estrutura singular das arquibancadas jamais.
Não bastasse todo processo histórico, arquitetônico e laços sentimentais dos torcedores com os seus respectivos estádios, deve-se considerar que ambos estão localizados em área relativamente central, com entorno viário apropriado para fluxo de veículos. A proximidade de terminais urbanos de ônibus facilita o percurso dos torcedores, que na maioria das vezes se deslocam a pé até os campos, após desembarcarem no centro da cidade.
Não esqueçamos que futebol é um esporte popular e muita gente da periferia usa o transporte coletivo para se deslocar aos campos. Alguém pensou no transtorno para o torcedor mandos de jogos de seus clubes no Jardim Eulina e distrito de Barão Geraldo? Difícil projetar se a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) remanejaria incontáveis itinerários de ônibus para atender a demanda de torcedores durante jogos em outros estádios. E mais: a estrutura viária no Jardim Eulina talvez não seja tão recomendável, considerando-se o estrangulamento de trânsito em alguns períodos na Rodovia Anhangüera, nas imediações do trevo da Bosch.
Se a modernidade é relegar o torcedor, é dificultar o acesso aos supostos novos estádios, fiquemos com a estrutura que está aí e com os costumes dos torcedores. Alguém perguntou ao pontepretano que invariavelmente “morde” o alambrado do Estádio Moisés Lucarelli, que se posiciona estrategicamente para xingar o bandeirinha, se ele topa “numa boa” trocar de ares?
Pra que arena multiuso? Eventos artísticos? Afinal, quando eventos de grande porte são agendados anualmente em
Assinar:
Comentários (Atom)