Que festa bonita marcou os 75 anos da LCF (Liga Campineira de Futebol)! Merecido parabéns ao Dr. Wallance Nogueira Rocha, presidente da entidade, por proporcionar o reencontro da nata do futebol não profissional de Campinas na noite deste 26 de fevereiro, na comemoração do jubileu de diamante. E não bastasse esse prazeroso momento, surpresa maior foi o reencontro com o briguento e sobretudo corretíssimo Luiz Carvalho de Moura, 90 anos de idade, lúcido e falante como sempre.
Luizinho, presidente vitalício da Liga Campineira de Futebol, foi o ponto alto do jantar comemorativo do evento. “Roubou” a cena literalmente. Foi bombardeado de cumprimentos pela trajetória vitoriosa como dirigente do futebol amador de Campinas. E mesmo quando a liga foi jogada num porão no centenário prédio do Palácio dos Azulejos, na Rua Regente Feijó, lá estava Luizinho irradiando otimismo e, na linguagem popularesca, sem deixar a peteca cair.
Luizinho foi um ativo dirigente, sem jamais deixar de ser atleta. Até os 73 anos de idade vestia a camisa 3 da Fotoelétrica, equipe que levava o nome de sua loja na Rua Conceição, infelizmente engolida como tantas outras pelos conglomerados comerciais que invadiram a área central de Campinas.
As histórias de Fotoelétrica e Luizinho se confundem. Foi ali, naquele aconchegante estabelecimento comercial, que Luizinho recebia indistintamente os desportistas de Campinas para tradicionais resenhas do amadorismo, como também despachar processos relativos à Liga Campineira de Futebol.
Em meados dos anos 80 Luizinho já não tinha a mesma motivação para comandar o esporte amador campineiro e deixou a incumbência para Domingos Rímoli Neto, já falecido, que aplainou o terreno para a chegada do então garotão Marco Antonio Abi Chedid realizar gestão revolucionária no segmento, culminando com a construção do prédio da entidade.
Depois veio o doutor Wallance para dar continuidade ao projeto, justamente num período em que a Lei Pelé propiciou a aparição de novas ligas amadoras de futebol, segmentadas a diferentes faixas etárias.
Fora do centro das decisões há tempo, circunscrito ao seio familiar, eis que neste 26 de fevereiro Luizinho transbordou de felicidade no reencontro com antigos amigos. Aí extravasou, remoçou. Aquele jeitão falante, acompanhado de gestos, característico de outrora, foi repetido. Sem etiquetas, Luizinho monopolizou a conversa, mesmo com a boca cheia de casquinha de siri. Estava feliz. Parecia que a festa havia sido reservada exclusivamente para ele. E foi. Quão belo é receber uma homenagem em vida. Que gratificante são calorosos abraços de amigos semeados ao longo da trajetória de líder voluntários no amadorismo.
Certamente outros Luizinhos serão lembrados nas próximas décadas. Felizmente o futebol amador de Campinas ainda é foco de gente idealista e sonhadora, e por isso tem que ser eternamente grato a gente como João Antonio Fernandes - principal represente da arbitragem local - Denir do Juventude Padre Anchieta, Norimith Higa e José Mário Couto (Miranda) da Ponte Preta Jardim Eulina, os irmãos Zé Carlos e Eduardo do Grêmio Taquaral, Fernando, Irdival e Alcindo do Canto da Vila; Antonio Carlos e Ademir Bola do Bela Vista; Ribeirão do União do Jardim Aeroporto, José Ribeiro presidente da Asclufam (Associação dos Clubes de Futebol Amador de Campinas), Roberto da Liga Ouro Verde, Teobaldo da Liga de Barão Geraldo, Moacir Conagero do Parque Brasília, Sérgio Acácio do Concórdia, Vicente do São Cristóvão e outras dezenas de dirigentes. Mencionar todos seria impossível.
Enfim, a administração do prefeito Dr. Hélio de Oliveira Santos abriu os olhos para o esporte amador da cidade e Gustavo Petta, secretário que se desincompatibilizou da pasta Esporte e Lazer no final de março, deixou uma agenda recheada de eventos para o segmento na temporada.
Oxalá os clubes sejam, de fato, contemplados com políticas públicas. Oxalá amplie-se o processo de monitoramento para que transformem o alicerce em casa segura. Se hoje a prefeitura oferece migalhas de pão – e antes nem isso oferecia – aos clubes, que futuramente indique os caminhos de como obtê-lo.
Esforço conjugado da máquina pública – com homens e materiais – e transpiração de dirigentes de clubes é o ingrediente necessário visando o processo de solidez, para pequenas agremiações se transformarem em respeitáveis comunidades.
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