terça-feira, 20 de abril de 2010

Aplausos para Dorival Júnior

O empolgante time do Santos não permite que o desportista focado em beleza de futebol fique queimando fosfato para avaliar postura tática da equipe. Para ele, o que importa são as pedaladas desconcertantes de Neymar e Robinho, a facilidade que o time encontra para entrar na área adversária, toques de bola curtos e envolventes, e gols de rara beleza marcados na maioria das vezes por Neymar e André.
Na boca do povo é voz corrente que “a molecada do Santos está arrebentando”, De fato o Peixe voltou a montar uma geração de ouro e é, de longe, o melhor time do Brasil, e quiçá da América do Sul.
É preciso que se faça justiça também ao bom trabalho do treinador Dorival Júnior. Ele fez a diferença no segundo tempo da partida contra o São Paulo, no domingo passado. Simplesmente copiou a bem sucedida estratégia do técnico Dunga, da Seleção Brasileira, de posicionar dois jogadores como lateral-direito, um deles avançado e executando basicamente a função de um ponta-direita, caso de Daniel Alves, em companhia de Maicon, que também se manda ao ataque.
Foi exatamente isso que Wesley fez no segundo tempo contra o São Paulo, lembrando atuações de Daniel Alves pelo setor. E Wesley, coadjuvado pelos avanços de Pará, abusou de triangulações pelas beiradas do campo, chegou com facilidade ao fundo do campo ou com a bola dominada até o bico da grande área são-paulina. Assim, enquanto chamava a marcação de um adversário, havia desguarnecimento em outros setores de defesa do São Paulo, com aproveitamento melhor de Neymar e Robinho.
Dorival posicionou bem o time do Santos no segundo tempo daquela partida. Se no primeiro tempo trouxe Wesley por dentro para reforçar a marcação, depois o liberou para atacar.
Evidente que o técnico Ricardo Gomes contribuiu para que ala direita ofensiva do Santos encontrasse preciosos espaços. Ao tirar Cleber Santana, flagrou-se sobrecarga na marcação para Richarlyson, e o setor esquerdo da retaguarda do Tricolor ficou esburacado.
Pode-se dizer que o São Paulo, no segundo tempo do jogo contra o Santos, foi, na linguagem popular, um cobertor curto, aquele que cobre os pés e descobre a cabeça. Se ficou caracterizado arrojo ofensivo com a entrada de Washington - coisa do tudo ou nada - houve desguarnecimento no meio-de-campo e defesa. E o sábio Dorival Junior inteligentemente aproveitou a deficiência tática do adversário, dando enorme contribuição para que seu time tivesse maior volume de jogo.
Nem por isso Dorival Júnior saiu alardeando por aí a façanha tática. De certo se reservou no direito de comentá-la com os seus jogadores, obviamente. Fossem alguns treinadores medalhões que bem conhecemos, jamais desperdiçariam a oportunidade de fazer o seu marketing na mídia, e com isso valorizar também o seu trabalho. Dorival, humildemente, transfere as glórias para os seus jogadores. Por isso que goza de simpatia da boleirada.

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