Este texto foi produzido inicialmente em formato manuscrito, em cadeira de hospital de Campinas, três dias antes da morte de minha mãe, Antonia do Carmo Izac, e agora resolvi reproduzi-lo.
Domingo, 21 de novembro de 2004, 16h. É horário de visita a pacientes do Hospital Samaritano, em Campinas, e um punhado de parentes e amigos de internados se prostram na sala de recepção e começam a se distribuir, dois em dois, para os respectivos leitos.
A octogenária Antonia do Carmo Izac, ocupante do primeiro leito do quarto 14, ala A, continua agonizando, tenta balbuciar, mas em vão.
Meia hora após o início do período destinado aos visitantes chegam ao citado quarto sua cunhada conhecida apenas por Linda e a sobrinha Mara. Linda, desinformada do estado de saúde da paciente, carrega um embrulho com frutas e se surpreende ao constatar a paciente entubada.
A cunhada ainda força o diálogo, toca, belisca a paciente e a resposta se restringe a gemidos de quem agonizava após ter sido vitimada por um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
Linda ainda se preocupa com o tempo de duração da visita, temendo prejuízo a outros visitantes, mal sabendo que poderia ocupar o restante do tempo permitido. Afinal, o serviço de recepção do hospital não havia registrado sequer uma procura pela paciente em questão.
Sinal de outros tempos. Sinal que as pessoas já não têm aquele apego de outrora. Sinal que velhos amigos e parentes já não se preocupam com a saúde alheira.
A saúde fragilizada da paciente indica a iminência da partida e, de certo, durante o transcorrer do velório, amigos e parentes vão cumprir o velho ritual de prestar condolências à família enlutada, e não dispensarão a formalidade de assinatura no formulário elaborado pela agente funerária.
É assim. Esse é mais um claro exemplo do “faz de conta”. Então, faz de conta que aqueles que esqueceram da velha Antonia agonizando em leito hospitalar estarão sentindo sua morte ao redor do caixão.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Você escolheu os políticos certos?
Domingo, 5 de outubro, você tirou da gaveta, com cheiro de mofo, seu título de eleitor e, de certo, parafraseando o nostálgico narrador esportivo Fiori Gigliotti, disse a um amigo ou parente: “É hoje torcida brasileira”! Pois é. Você disse, caro eleitor, através das urnas, quem deve representá-lo nos poderes Executivo e Legislativo dos municípios nos próximos quatro anos. Você assinou, por via eletrônica, um cheque em branco, na expectativa de que o destinatário não o "rasure" e muito menos o não adultere.
Ao escolher os candidatos a prefeito e vereador você cumpriu a primeira etapa de relacionamento eleitor e eleito. A partir do primeiro dia de um novo mandato, comece a exercer sua cidadania e cobre as propostas de palanque. Exija coerência e trabalho.
Tomara que você tenhal refletido bem, pois mesmo com reflexão o risco de erro é enorme, até porque as pessoas mudam muito. Quem você conhece hoje, pode estar bem diferente em apenas alguns meses. Portanto, espera-se que você tenha excluído de sua listagem de postulantes à Câmara de Vereadores aqueles que extrapolaram a área de atuação. Vereador não constrói escolas e creches e muito menos hospitais. Saiba que construir é diferente de protocolar indicações para que o prefeito autorize construções das citadas unidades.
A despeito do processo de amadurecimento do eleitor para discernimento de candidatos, ainda há muito que se percorrer. Exatamente por isso que ladinos exploram incautos e milhares de votos vão para o ralo, ou melhor: para candidatos que não merecem a confiança do munícipe.
É competência do vereador apresentar e votar projetos de lei; fiscalizar atos, contas e processos licitatórios da prefeitura; aprovar Orçamento anual do município, acompanhar execução de obras e trabalho do poder Executivo, e também assessorar o prefeito.
No dia 5 de outubro você entregou a chave da cidade (em eleições majoritárias definidas no 1º tgurno) para quem tem obrigação de mantê-la conservada, que esteja comprometido com propostas que convirjam com interesses da população carente, tais como infra-estrutura nos bairros, construção de creches, escolas, postos de saúde, etc. Oxalá você tenha reavaliado como eles - candidatos a prefeito - serão capazes de colocar em prática essas ambiciosas propostas se os cofres públicos estão declaradamente vazios.
Aí é que entra o espírito empreendedor do prefeito na busca por recursos, sem que isso represente sangria para o bolso do munícipe, caso de aumentos nos valores de tributos. Essa reavaliação é imprescindível, sob pena de se cometer erros que só poderão reparados a quatro anos.
Dizem que ‘papel aceita tudo’. Logo, você deve ter refletido sobre propostas inseridas em panfletos, jornais e boletins. Claro que você avaliou aquelas exeqüíveis, e por isso não esqueça de cobrá-las dos eleitos. Cobre políticas públicas preventivas para a saúde. Exija que implementem cursos de qualificação profissional para o jovem. Reivindique ações no transporte que visem descongestionamento de trânsito e relembre os homens públicos de seu direito constitucional de moradia.
Seja como for, saiba que felizmente há políticos honestos, transparentes, ousados, competentes, e sobretudo compromissados com a real função de servir. Toma que você tenha sabido distingui-los.
Ao escolher os candidatos a prefeito e vereador você cumpriu a primeira etapa de relacionamento eleitor e eleito. A partir do primeiro dia de um novo mandato, comece a exercer sua cidadania e cobre as propostas de palanque. Exija coerência e trabalho.
Tomara que você tenhal refletido bem, pois mesmo com reflexão o risco de erro é enorme, até porque as pessoas mudam muito. Quem você conhece hoje, pode estar bem diferente em apenas alguns meses. Portanto, espera-se que você tenha excluído de sua listagem de postulantes à Câmara de Vereadores aqueles que extrapolaram a área de atuação. Vereador não constrói escolas e creches e muito menos hospitais. Saiba que construir é diferente de protocolar indicações para que o prefeito autorize construções das citadas unidades.
A despeito do processo de amadurecimento do eleitor para discernimento de candidatos, ainda há muito que se percorrer. Exatamente por isso que ladinos exploram incautos e milhares de votos vão para o ralo, ou melhor: para candidatos que não merecem a confiança do munícipe.
É competência do vereador apresentar e votar projetos de lei; fiscalizar atos, contas e processos licitatórios da prefeitura; aprovar Orçamento anual do município, acompanhar execução de obras e trabalho do poder Executivo, e também assessorar o prefeito.
No dia 5 de outubro você entregou a chave da cidade (em eleições majoritárias definidas no 1º tgurno) para quem tem obrigação de mantê-la conservada, que esteja comprometido com propostas que convirjam com interesses da população carente, tais como infra-estrutura nos bairros, construção de creches, escolas, postos de saúde, etc. Oxalá você tenha reavaliado como eles - candidatos a prefeito - serão capazes de colocar em prática essas ambiciosas propostas se os cofres públicos estão declaradamente vazios.
Aí é que entra o espírito empreendedor do prefeito na busca por recursos, sem que isso represente sangria para o bolso do munícipe, caso de aumentos nos valores de tributos. Essa reavaliação é imprescindível, sob pena de se cometer erros que só poderão reparados a quatro anos.
Dizem que ‘papel aceita tudo’. Logo, você deve ter refletido sobre propostas inseridas em panfletos, jornais e boletins. Claro que você avaliou aquelas exeqüíveis, e por isso não esqueça de cobrá-las dos eleitos. Cobre políticas públicas preventivas para a saúde. Exija que implementem cursos de qualificação profissional para o jovem. Reivindique ações no transporte que visem descongestionamento de trânsito e relembre os homens públicos de seu direito constitucional de moradia.
Seja como for, saiba que felizmente há políticos honestos, transparentes, ousados, competentes, e sobretudo compromissados com a real função de servir. Toma que você tenha sabido distingui-los.
domingo, 17 de agosto de 2008
Mães diferentes
Por Ariovaldo Izac
De repente em Fernadópolis - interior de São Paulo - uma moça deixa trancada em sua casa dois filhos com idade inferior a 10 anos, exatamente para poder se encontrar com seu namorado e, paradoxalmente, se vê um outro posicionamento diametralmente oposto em Campinas, também interior de São Paulo.
Uma outra mulher, ao estacionar o seu veículo em frente à Escola Estadual Procópio Ferreira, no bairro Jardim dos Oliveira, em Campinas, pacientemente remonta uma cadeira de rodas, com seus devidos encaixes de rodas e hastes, para que possa, após a montagem, recolocar o filho, com idade também inferior a 10 anos, na cadeira, para ser levado à sala de aula.
Vejam, portanto, esses comportamentos extremamente distintos. De um lado, alguém totalmente alheio aos filhos; do outro, uma mãe que transmite calor humano ao filho.
Pois é, a vida é mesmo assim.
De repente em Fernadópolis - interior de São Paulo - uma moça deixa trancada em sua casa dois filhos com idade inferior a 10 anos, exatamente para poder se encontrar com seu namorado e, paradoxalmente, se vê um outro posicionamento diametralmente oposto em Campinas, também interior de São Paulo.
Uma outra mulher, ao estacionar o seu veículo em frente à Escola Estadual Procópio Ferreira, no bairro Jardim dos Oliveira, em Campinas, pacientemente remonta uma cadeira de rodas, com seus devidos encaixes de rodas e hastes, para que possa, após a montagem, recolocar o filho, com idade também inferior a 10 anos, na cadeira, para ser levado à sala de aula.
Vejam, portanto, esses comportamentos extremamente distintos. De um lado, alguém totalmente alheio aos filhos; do outro, uma mãe que transmite calor humano ao filho.
Pois é, a vida é mesmo assim.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
NOSSAS PAUTAS
Para que possamos manter o dinamismo desta página, sugiro que a gente discuta assuntos elencados abaixo. Vemos nesta?
1 - Digamos que este processo eleitoral nos municípios está morno ou até gelado, dizem alguns, comparativamente a anos anteriores.
Seria por falta de grana dos candidatos? Por que a gente ainda não observa as ruas forradas daqueles malditos santinhos? Por que raros muros são pintados?
Esse marketing político já não tem retorno como antigamente? O eleitor está mais consciente e não se deixa enganar por maciça propaganda eleitoral?
E o barulho no rádio e TV, muda alguma coisa?
Por que candidatos à releeição - na maioria das vezes - têm mais chance de ganhar? Uso da máquina? E o desgate político proveniente de cobranças de promessas não cumpridas?
2 - Você acredita em extreterrestres? Nesta terça-feira (05/08), em Campinas, será realizada a palestra "Realidade Ufológica Revelações Extreterrstres". O foco é pergunta sem resposta referente à existência de extraterrestre, como ele é, o que quer, de onde vem, porque está aqui, os contatos com a Terra, qual a missão e o seu oibjetivo.
Por acaso você já observou algum objeto voador não identificado? Conte a sua experiência, ou diga que isso não passa de "papo" furado.
3 - Vamos falar, também, da mudança de comportamento de camionhoneiros nas rodovias. Brincadeira! Hoje os caras "ousam" querer "podar" o companheiro em subida. Conclusão: a 60km/h amarram os outros motoristas.
Tem aqueles caminhoneiros que trafegam em estradas transportando grãos, areias, pedras, etc, sem a precaução de cobrir a carroceria com lona adequada, de forma que a sua carga não esparrame na pista e "colida" com o veículo que trafega logo atrás, provocando avarias indesejáveis.
Claro que hoje o caminhoneiro já não respeita o veículo leve como antigamente. De repente, basta um irritante sinal de braço (nem sempre usa o pisca) e, incontinente, coloca aquele brutamonte sobre o seu carro, como que pretendendo testar o seu reflexo em manobras imprescindíveis.
1 - Digamos que este processo eleitoral nos municípios está morno ou até gelado, dizem alguns, comparativamente a anos anteriores.
Seria por falta de grana dos candidatos? Por que a gente ainda não observa as ruas forradas daqueles malditos santinhos? Por que raros muros são pintados?
Esse marketing político já não tem retorno como antigamente? O eleitor está mais consciente e não se deixa enganar por maciça propaganda eleitoral?
E o barulho no rádio e TV, muda alguma coisa?
Por que candidatos à releeição - na maioria das vezes - têm mais chance de ganhar? Uso da máquina? E o desgate político proveniente de cobranças de promessas não cumpridas?
2 - Você acredita em extreterrestres? Nesta terça-feira (05/08), em Campinas, será realizada a palestra "Realidade Ufológica Revelações Extreterrstres". O foco é pergunta sem resposta referente à existência de extraterrestre, como ele é, o que quer, de onde vem, porque está aqui, os contatos com a Terra, qual a missão e o seu oibjetivo.
Por acaso você já observou algum objeto voador não identificado? Conte a sua experiência, ou diga que isso não passa de "papo" furado.
3 - Vamos falar, também, da mudança de comportamento de camionhoneiros nas rodovias. Brincadeira! Hoje os caras "ousam" querer "podar" o companheiro em subida. Conclusão: a 60km/h amarram os outros motoristas.
Tem aqueles caminhoneiros que trafegam em estradas transportando grãos, areias, pedras, etc, sem a precaução de cobrir a carroceria com lona adequada, de forma que a sua carga não esparrame na pista e "colida" com o veículo que trafega logo atrás, provocando avarias indesejáveis.
Claro que hoje o caminhoneiro já não respeita o veículo leve como antigamente. De repente, basta um irritante sinal de braço (nem sempre usa o pisca) e, incontinente, coloca aquele brutamonte sobre o seu carro, como que pretendendo testar o seu reflexo em manobras imprescindíveis.
domingo, 3 de agosto de 2008
Ainda sobre passarelas
Parece que a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) ouviu nossas preces e resolveu improvisar escadas com estruturas metálicas nas passarelas em reforma, em trechos da Rodovia Anhangüera de Sumaré.Torcemos para que a medida seja estendida a quem fazia uso das passarelas no trecho de Campinas.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Obras em passarelas na Via Anhangëra
O corredor noroeste, que provocará mais segurança e comodidade a usuários de ônibus nas conurbadas cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), vai de "tempo e popa", mas temos que fazer algumas ressalvas.
No trecho da Rodovia Anhangüera entre Campinas e Sumaré procede-se a reforma de passarelas, para adequá-las às pistas marginais, e o pedestre perde, momentaneamente, a opção de travessia segura.
Assim ele é visto, com freqüência, atravessando aquela rodovia perigosíssima exatamente pela falta de opção.
É necessário a reforma ou adaptação de passarelas? Sim, não se questiona isso. O alerta é para que as obras não transcorram com essa irritante morosidade. O processo precisa ser aceleradíssimo, sob risco de os jornais terem de "manchetar" a qualquer momento que "criança morre atropelada na Via Anhangüera perto de passarela em reforma".
Como prevenir é melhor que remediar, vamos prevenir acidentes graves completando rapidamente as obras nas passarelas.
No trecho da Rodovia Anhangüera entre Campinas e Sumaré procede-se a reforma de passarelas, para adequá-las às pistas marginais, e o pedestre perde, momentaneamente, a opção de travessia segura.
Assim ele é visto, com freqüência, atravessando aquela rodovia perigosíssima exatamente pela falta de opção.
É necessário a reforma ou adaptação de passarelas? Sim, não se questiona isso. O alerta é para que as obras não transcorram com essa irritante morosidade. O processo precisa ser aceleradíssimo, sob risco de os jornais terem de "manchetar" a qualquer momento que "criança morre atropelada na Via Anhangüera perto de passarela em reforma".
Como prevenir é melhor que remediar, vamos prevenir acidentes graves completando rapidamente as obras nas passarelas.
domingo, 27 de julho de 2008
Salve a música sertaneja
Uma das características nos textos em blog é a conotação pessoal. Diferentemente da mídia impressa, em que mesmo nos textos opinativos preocupo-me com a forma impessoal, aqui vale a primeira pessoa do singular.
Amigos jornalistas sugeriram que discorresse sobre a música sertaneja dos antigos intérpretes - entenda-se música raiz -, tocadas no rádio ao amanhecer. Então vamos lá.
Os anos 60 foram marcados pela “explosão” musical. Não bastasse a aparição dos Beatles, revolucionário quarteto de Liverpool, Inglaterra, a molecada da época gingava ao som dos embalos de domingo à tarde com Roberto Carlos e sua turma no programa Jovem Guarda, da TV Record.
Com essa turma bombando no rádio e na televisão, e o indisfarçável preconceito às canções sertanejas, evidente que o adolescente da época torcia o nariz quando a velharada e caipirões colocavam discos de vinil em compacto duplo ou LP gravados pelas duplas Tião Carreiro e Pardinho, Dino Franco e Moraí, ou Tonico e Tinoco.
No meu caso, especificamente, pouco me importava se estava na contramão de minha turma. Curtia todos os ritmos. Havia espaço em meu arquivo para os boleros de Nelson Gonçalves, e melodias fascinantes de Altemar Dutra, Caubi Peixoto e Ângela Maria, astros da MPB. Assim cresci com poucas objeções no gênero musical.
Aos críticos contundentes da música sertaneja, respondia que lhes faltava sensibilidade para sugar a alma do homem do campo, capaz de transformar em obra de arte histórias com o menino da porteira, a morte do amigo Chico Mineiro, O leitão e o italiano, e por aí vai.
E quem conceitua a velha música sertaneja apenas em batidas repetidas de viola está equivocado. Há um punhado de melodias românticas que ainda penetra profundamente no coração da gente.
Talvez o melhor exemplo de sertanejo romântico seja Dino Franco, que completou 50 anos de carreira. Isso é fruto da parceria inicial com Biá e posteriormente Moraí. Esse poeta da música sertaneja também é um compositor de “mão cheia”. Retratou em suas canções as dores e vida do caipira, e a sua luta para sobreviver no campo, exaltando também as belezas da natureza. Ouça obras como “Amargurado” e “Caboclo na Cidade” para se sensibilizar com esse reconhecido talento no seu gênero, com biografia de músicas lentas que a gente se derretia nas danças de corpos colado, infelizmente sepultadas pelos atropelos musicais.
Sou do tempo em que a gente se deliciava ouvir Tião Carreiro com pérolas da música sertaneja como “Cochilou Cachimbo Cai”, nos programas de rádio. O próximo 15 de outubro vai marcar 15 anos sem Tião Carreiro, mas com certeza aquele bigodudo de vozeirão premiado, inventor do pagode sertanejo, jamais será esquecido.
Ficamos assim: não condene a música sertaneja sem dela provar. Prove e verás que demorou para conhecê-la.
Amigos jornalistas sugeriram que discorresse sobre a música sertaneja dos antigos intérpretes - entenda-se música raiz -, tocadas no rádio ao amanhecer. Então vamos lá.
Os anos 60 foram marcados pela “explosão” musical. Não bastasse a aparição dos Beatles, revolucionário quarteto de Liverpool, Inglaterra, a molecada da época gingava ao som dos embalos de domingo à tarde com Roberto Carlos e sua turma no programa Jovem Guarda, da TV Record.
Com essa turma bombando no rádio e na televisão, e o indisfarçável preconceito às canções sertanejas, evidente que o adolescente da época torcia o nariz quando a velharada e caipirões colocavam discos de vinil em compacto duplo ou LP gravados pelas duplas Tião Carreiro e Pardinho, Dino Franco e Moraí, ou Tonico e Tinoco.
No meu caso, especificamente, pouco me importava se estava na contramão de minha turma. Curtia todos os ritmos. Havia espaço em meu arquivo para os boleros de Nelson Gonçalves, e melodias fascinantes de Altemar Dutra, Caubi Peixoto e Ângela Maria, astros da MPB. Assim cresci com poucas objeções no gênero musical.
Aos críticos contundentes da música sertaneja, respondia que lhes faltava sensibilidade para sugar a alma do homem do campo, capaz de transformar em obra de arte histórias com o menino da porteira, a morte do amigo Chico Mineiro, O leitão e o italiano, e por aí vai.
E quem conceitua a velha música sertaneja apenas em batidas repetidas de viola está equivocado. Há um punhado de melodias românticas que ainda penetra profundamente no coração da gente.
Talvez o melhor exemplo de sertanejo romântico seja Dino Franco, que completou 50 anos de carreira. Isso é fruto da parceria inicial com Biá e posteriormente Moraí. Esse poeta da música sertaneja também é um compositor de “mão cheia”. Retratou em suas canções as dores e vida do caipira, e a sua luta para sobreviver no campo, exaltando também as belezas da natureza. Ouça obras como “Amargurado” e “Caboclo na Cidade” para se sensibilizar com esse reconhecido talento no seu gênero, com biografia de músicas lentas que a gente se derretia nas danças de corpos colado, infelizmente sepultadas pelos atropelos musicais.
Sou do tempo em que a gente se deliciava ouvir Tião Carreiro com pérolas da música sertaneja como “Cochilou Cachimbo Cai”, nos programas de rádio. O próximo 15 de outubro vai marcar 15 anos sem Tião Carreiro, mas com certeza aquele bigodudo de vozeirão premiado, inventor do pagode sertanejo, jamais será esquecido.
Ficamos assim: não condene a música sertaneja sem dela provar. Prove e verás que demorou para conhecê-la.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Julinas rurais, quanta diferença!
As festas julinas com guloseimas, bebidas típicas - quentão e vinho quente -, bingos e danças de quadrilha se arrastam até o final deste mês de julho. E que festanças agradáveis! E se você as adora, que tal descobrir juninas e julinas na zona rural? Sim, no meio do mato. E confira quanta diferença, a começar pela simplicidade do homem do campo.
Pouco importa se ele fala “ponhá” no lugar de por. Também não o discrimine se convidá-lo para saborear um doce de "abroba" em vez de abóbora. Esteja convicto que esse humilde povo do mato ensina como faz bem um sorriso sincero, como é bom transmitir alegria. Ele mostra que ainda vale a pena ser solícito pelo simples prazer de um boa convivência.
Juninas ou julinas rurais que se prezam têm fogueira espalhando fumaça a metros de distância, batata doce assada na brasa e, sobretudo, a insubstituível moda de viola. Quanta diferença!
O homem do mato não torce o nariz diante do bafo fedorento de cachaça do companheiro e “puxa prosa" com quem mal conhece, como se a amizade fosse duradoura.
Nas tradicionais festas juninas ou julinas urbanas a mulherada coloca a roupa da moda, exagera no perfume, se preocupa em demasia com a aparência e esnoba bastante, como se festa junina fosse solenidade social.
Já as camponesas se embelezam como podem, mas são identificadas principalmente pela espontaneidade. Só para não alongar o assunto, mais essa: junina ou julina rural tem até rifa de leitão, e o ganhador bota o bichinho vivo, amarrado no suporte da bicicleta, e o leva pra casa. É mole?
De certo uma visitinha em julina rural possa servir de reflexão pra quem anda fora de “prumo”. Do contrário, só em velório essa gente vai lembrar que "estamos aqui de passagem". Pior é que o homem repete incontáveis vezes o bordão e horas depois parece esquecer tudo aquilo que disse.
Pouco importa se ele fala “ponhá” no lugar de por. Também não o discrimine se convidá-lo para saborear um doce de "abroba" em vez de abóbora. Esteja convicto que esse humilde povo do mato ensina como faz bem um sorriso sincero, como é bom transmitir alegria. Ele mostra que ainda vale a pena ser solícito pelo simples prazer de um boa convivência.
Juninas ou julinas rurais que se prezam têm fogueira espalhando fumaça a metros de distância, batata doce assada na brasa e, sobretudo, a insubstituível moda de viola. Quanta diferença!
O homem do mato não torce o nariz diante do bafo fedorento de cachaça do companheiro e “puxa prosa" com quem mal conhece, como se a amizade fosse duradoura.
Nas tradicionais festas juninas ou julinas urbanas a mulherada coloca a roupa da moda, exagera no perfume, se preocupa em demasia com a aparência e esnoba bastante, como se festa junina fosse solenidade social.
Já as camponesas se embelezam como podem, mas são identificadas principalmente pela espontaneidade. Só para não alongar o assunto, mais essa: junina ou julina rural tem até rifa de leitão, e o ganhador bota o bichinho vivo, amarrado no suporte da bicicleta, e o leva pra casa. É mole?
De certo uma visitinha em julina rural possa servir de reflexão pra quem anda fora de “prumo”. Do contrário, só em velório essa gente vai lembrar que "estamos aqui de passagem". Pior é que o homem repete incontáveis vezes o bordão e horas depois parece esquecer tudo aquilo que disse.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Vamos que vamos!
Alô, gente! Cheguei. Ufa! enfim encontrei um jeito de voltar a me comunicar com a comunidade esportiva de Campinas (SP), região, São Paulo, Brasil e mundo.
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