Uma das características nos textos em blog é a conotação pessoal. Diferentemente da mídia impressa, em que mesmo nos textos opinativos preocupo-me com a forma impessoal, aqui vale a primeira pessoa do singular.
Amigos jornalistas sugeriram que discorresse sobre a música sertaneja dos antigos intérpretes - entenda-se música raiz -, tocadas no rádio ao amanhecer. Então vamos lá.
Os anos 60 foram marcados pela “explosão” musical. Não bastasse a aparição dos Beatles, revolucionário quarteto de Liverpool, Inglaterra, a molecada da época gingava ao som dos embalos de domingo à tarde com Roberto Carlos e sua turma no programa Jovem Guarda, da TV Record.
Com essa turma bombando no rádio e na televisão, e o indisfarçável preconceito às canções sertanejas, evidente que o adolescente da época torcia o nariz quando a velharada e caipirões colocavam discos de vinil em compacto duplo ou LP gravados pelas duplas Tião Carreiro e Pardinho, Dino Franco e Moraí, ou Tonico e Tinoco.
No meu caso, especificamente, pouco me importava se estava na contramão de minha turma. Curtia todos os ritmos. Havia espaço em meu arquivo para os boleros de Nelson Gonçalves, e melodias fascinantes de Altemar Dutra, Caubi Peixoto e Ângela Maria, astros da MPB. Assim cresci com poucas objeções no gênero musical.
Aos críticos contundentes da música sertaneja, respondia que lhes faltava sensibilidade para sugar a alma do homem do campo, capaz de transformar em obra de arte histórias com o menino da porteira, a morte do amigo Chico Mineiro, O leitão e o italiano, e por aí vai.
E quem conceitua a velha música sertaneja apenas em batidas repetidas de viola está equivocado. Há um punhado de melodias românticas que ainda penetra profundamente no coração da gente.
Talvez o melhor exemplo de sertanejo romântico seja Dino Franco, que completou 50 anos de carreira. Isso é fruto da parceria inicial com Biá e posteriormente Moraí. Esse poeta da música sertaneja também é um compositor de “mão cheia”. Retratou em suas canções as dores e vida do caipira, e a sua luta para sobreviver no campo, exaltando também as belezas da natureza. Ouça obras como “Amargurado” e “Caboclo na Cidade” para se sensibilizar com esse reconhecido talento no seu gênero, com biografia de músicas lentas que a gente se derretia nas danças de corpos colado, infelizmente sepultadas pelos atropelos musicais.
Sou do tempo em que a gente se deliciava ouvir Tião Carreiro com pérolas da música sertaneja como “Cochilou Cachimbo Cai”, nos programas de rádio. O próximo 15 de outubro vai marcar 15 anos sem Tião Carreiro, mas com certeza aquele bigodudo de vozeirão premiado, inventor do pagode sertanejo, jamais será esquecido.
Ficamos assim: não condene a música sertaneja sem dela provar. Prove e verás que demorou para conhecê-la.
5 comentários:
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Mestre Ari
parabéns pelo novo blog.... e viva as diferenças.... rsrsrsrs.... bjks e ótima tarde!!!!
Força disse...
Grande Ari, parabéns pelo artigo. Sou amante da música sertaneja, pois está diretamente ligada a minha infância. Na época, sempre acordava com a música em alto volume e sentava no colo do meu pai para ouvi-lo cantar. Quantas vezes dancei com ele na sala de casa. Alguns dizem que a música sertaneja é caipira. Eu só tenho uma ideía sobre isso. Que bom é ser capipira. Viva a música sertaneja!
Cris Azanha
O Blog deveria se chamar "Os contos e causos do Mestre Izac". Boa sorte com seu novo blog.
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