Assunto futebol fica por conta do Blog do Ari, mas de vez em quanto a gente abre exceção, principalmente quando há correlação com outro assunto.
Após a suadíssima vitória do Santos F.C. sobre o Náutico, na noite do dia 29 de julho, em Recife, pelo Campeonato Brasileiro, o técnico santista, Vanderlei Luxemburgo, que ganha um caminhão de dinheiro, disse uma frase corriqueira no futebol: “Nosso time se houve bem”.
Tenho lá minhas dúvidas se, mesmo metaforicamente, é admissível o uso do verbo haver na terceira pessoa do singular para citar que o time esteve bem.
Ah, mas o Vanderlei Luxemburgo não ganha pra falar certo ou errado, podem argumentar. Seu negócio é preparar bem seus jogadores, devem acrescentar.
Concordo. Mas especificamente no meio do futebol vê-se uma enxurrada de frases feitas e copiadas exageradamente. E a frase da moda é focar. “Vamos nos focar no próximo adversário...”, ou, então, flexibilizando-se o verbo, coisas do tipo: “Nosso time estava focado...”, “Estamos focando naquele objetivo traçado...”.
Entendeu?
quinta-feira, 30 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Fogos, relação com futebol
Aquela tonelada de fogos de artifícios encalhada com a derrota do Cruzeiro para o Estudiantes na final da Libertadores, dia 15 de julho, foi usada no jogo subseqüente contra o Corinthians, no Estádio Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro, no show pirotécnico ainda permitido em estádios.
Estampidos provocados por rojões são um aviso, entre outras coisas, que algum time de futebol marcou gol, que o telespectador está vibrando com a vantagem de seu clube. Por questão de segurança, desde meados da década de 70, proibiram o acesso de torcedores com fogos nos estádios. Eles se transformaram em armas nos confrontos de torcidas rivais.
A rigor, na década de 40, quando as torcidas tinham comportamento civilizado, no lugar de alambrados via-se cercas de madeira de 1m de altura. Nos anos 50, nem era preciso revistar torcedores nos portões de entrada dos estádios. Nos anos 80, foi necessário um pacote de medidas para garantir segurança durante os jogos. Impediram acesso de bandeira com mastro inferior a 4m de altura, instrumento de percussão, guarda-chuva de ponta e até radinho de pilha, uma das medidas posteriormente revogada.
Quando o torcedor fazia festa nos campos soltando rojões, pessoas nas imediações acompanhavam a contagem dos gols pelo barulho dos fogos. Se ensurdecedor, a comemoração era do time da casa. Se discreto, a alegria era do clube visitante.
Que foguetório! Aquela fumaceira deixava tudo embaçado. Pena que alguns gaiatos mal sabiam manusear rojões e sofriam queimaduras. Estouros para baixo assustavam torcedores ao redor e abria-se um “clarão” na arquibancada. Algumas vítimas sofriam mutilações nos dedos, danos nos olhos e até surdez.
Bons tempos em que os jogadores só subiam aos gramados minutos antes das partidas, plenamente aquecidos nos vestiários. Depois, preparadores físicos importaram da Europa a metodologia de aquecê-los nos gramados, antes de se uniformizarem, e ficou sem graça a saudação posterior aos torcedores.
Naquela época, editores de jornais não priorizavam imagens em movimento. Publicavam foto posada do time da casa, restrita aos 11 jogadores e o massagista, posicionado sempre à esquerda, entre os agachados. E agachava-se literalmente, com a parte posterior da coxa encostada na panturrilha. Hoje, nem se pode dizer que a turma da frente fica agachada, já que sequer dobra o joelho.
Se nos estádios a rigorosa fiscalização sobre fogos inibe torcedores a burlarem a proibição, fora deles os abusos continuam. A maioria lembra do confronto entre vascaínos e corintianos em 2007, na capital paulista, resultando na morte de Clayton Ferreira de Souza, de 27 anos. E sabem quais as armas dos briguentos? Barra de ferro, faca e rojão.
Tal como aqui, na Alemanha torcedores usam rojões como arma, com Eintracht Frankfurt e Nuremberg multados em 50 e 25 euros, respectivamente. Pior na Áustria, porque o goleiro Georg Koch, do Rapud, perdeu parte da audição após ser atingido no ouvido por fogos de
Estampidos provocados por rojões são um aviso, entre outras coisas, que algum time de futebol marcou gol, que o telespectador está vibrando com a vantagem de seu clube. Por questão de segurança, desde meados da década de 70, proibiram o acesso de torcedores com fogos nos estádios. Eles se transformaram em armas nos confrontos de torcidas rivais.
A rigor, na década de 40, quando as torcidas tinham comportamento civilizado, no lugar de alambrados via-se cercas de madeira de 1m de altura. Nos anos 50, nem era preciso revistar torcedores nos portões de entrada dos estádios. Nos anos 80, foi necessário um pacote de medidas para garantir segurança durante os jogos. Impediram acesso de bandeira com mastro inferior a 4m de altura, instrumento de percussão, guarda-chuva de ponta e até radinho de pilha, uma das medidas posteriormente revogada.
Quando o torcedor fazia festa nos campos soltando rojões, pessoas nas imediações acompanhavam a contagem dos gols pelo barulho dos fogos. Se ensurdecedor, a comemoração era do time da casa. Se discreto, a alegria era do clube visitante.
Que foguetório! Aquela fumaceira deixava tudo embaçado. Pena que alguns gaiatos mal sabiam manusear rojões e sofriam queimaduras. Estouros para baixo assustavam torcedores ao redor e abria-se um “clarão” na arquibancada. Algumas vítimas sofriam mutilações nos dedos, danos nos olhos e até surdez.
Bons tempos em que os jogadores só subiam aos gramados minutos antes das partidas, plenamente aquecidos nos vestiários. Depois, preparadores físicos importaram da Europa a metodologia de aquecê-los nos gramados, antes de se uniformizarem, e ficou sem graça a saudação posterior aos torcedores.
Naquela época, editores de jornais não priorizavam imagens em movimento. Publicavam foto posada do time da casa, restrita aos 11 jogadores e o massagista, posicionado sempre à esquerda, entre os agachados. E agachava-se literalmente, com a parte posterior da coxa encostada na panturrilha. Hoje, nem se pode dizer que a turma da frente fica agachada, já que sequer dobra o joelho.
Se nos estádios a rigorosa fiscalização sobre fogos inibe torcedores a burlarem a proibição, fora deles os abusos continuam. A maioria lembra do confronto entre vascaínos e corintianos em 2007, na capital paulista, resultando na morte de Clayton Ferreira de Souza, de 27 anos. E sabem quais as armas dos briguentos? Barra de ferro, faca e rojão.
Tal como aqui, na Alemanha torcedores usam rojões como arma, com Eintracht Frankfurt e Nuremberg multados em 50 e 25 euros, respectivamente. Pior na Áustria, porque o goleiro Georg Koch, do Rapud, perdeu parte da audição após ser atingido no ouvido por fogos de
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Dinheiro e seus sinônimos
Nos tempos ‘bicudos’ como este de crise financeira global, tem gente que fica de cabelo arrepiado quando lê ou ouve informações de salários estratosféricos, supostamente oferecidos para renomados homens de televisão mudarem de casa. Alardeiam que a TV Record teria proposto o gordo pagamento mensal de R$ 3 milhões para tirar Gugu Liberato do SBT. A atitude da apresentadora Eliana em trocar a grade domingueira da Record pelo SBT, por proposta financeira mais vantajosa, também gerou polêmica. E a troca de cadeiras nas emissoras de certo não vai parar por aí. Pois é: dinheiro, dinheiro, dinheiro...
Dinheiro é um troço tão importante que pode perfeitamente ser mensurado pela leva de sinônimos, a maioria criados décadas passadas por cabeças criativas.
Oras, quer caracterização mais simpática pra dinheiro que ‘bufunfa’! Claro que o dinheiro é representado por sinônimos dependendo das circunstâncias. Quem presta um servicinho por alguns minutos responde sem pestanejar para lhe darem um troco qualquer, quando indagado sobre o custo do trabalho.
Tem aqueles que pelo mesmo servicinho prestado deixam a critério do contratante pagar aquilo que julgar justo, e de repente se surpreendem com uma merreca.
Gíria por gíria, observa-se cascalho, tutu, fala verdade e grana como representantes do dinheiro. Gozado, por que cascalho, fragmento de rocha, é sinônimo de dinheiro? Aparentemente nada a ver.
Usa-se a palavra grana quando o sujeito está duro, ou seja, sem dinheiro. "Tô sem grana pra sair hoje à noite", tem sido uma compreensiva justificativa para sacrificar o sabadão.
A bandidagem também usa o linguajar grana às vítimas por ocasião de um assalto, e nem poderia ser diferente. “Mãos ao alto”, ou “mãos pra cima”, é o bordão autoritário do delinqüente para dominá-las, emendando com a indispensável ameaça: “Passa a grama aí".
Tutu, uma gíria fora de moda, já foi referência sobre pessoas endinheiras: "Fulano está com o tutu", diziam décadas passadas.
Na perdição por dinheiro, que tal refletir sobre a frase que segue, extraída sei lá de onde: “Dinheiro é muito bom, mas nada compra as lambidinhas que minha gata dá no meu nariz”. Trocado em miúdos, dinheiro não é tudo.
Dinheiro é um troço tão importante que pode perfeitamente ser mensurado pela leva de sinônimos, a maioria criados décadas passadas por cabeças criativas.
Oras, quer caracterização mais simpática pra dinheiro que ‘bufunfa’! Claro que o dinheiro é representado por sinônimos dependendo das circunstâncias. Quem presta um servicinho por alguns minutos responde sem pestanejar para lhe darem um troco qualquer, quando indagado sobre o custo do trabalho.
Tem aqueles que pelo mesmo servicinho prestado deixam a critério do contratante pagar aquilo que julgar justo, e de repente se surpreendem com uma merreca.
Gíria por gíria, observa-se cascalho, tutu, fala verdade e grana como representantes do dinheiro. Gozado, por que cascalho, fragmento de rocha, é sinônimo de dinheiro? Aparentemente nada a ver.
Usa-se a palavra grana quando o sujeito está duro, ou seja, sem dinheiro. "Tô sem grana pra sair hoje à noite", tem sido uma compreensiva justificativa para sacrificar o sabadão.
A bandidagem também usa o linguajar grana às vítimas por ocasião de um assalto, e nem poderia ser diferente. “Mãos ao alto”, ou “mãos pra cima”, é o bordão autoritário do delinqüente para dominá-las, emendando com a indispensável ameaça: “Passa a grama aí".
Tutu, uma gíria fora de moda, já foi referência sobre pessoas endinheiras: "Fulano está com o tutu", diziam décadas passadas.
Na perdição por dinheiro, que tal refletir sobre a frase que segue, extraída sei lá de onde: “Dinheiro é muito bom, mas nada compra as lambidinhas que minha gata dá no meu nariz”. Trocado em miúdos, dinheiro não é tudo.
Assinar:
Comentários (Atom)