sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Comida, bebida, chuva e muita prosa; é Natal

 Dizia o poeta que o céu amanheceu carrancudo neste Natal de 2015.
 Nada de brisa. Folhas de árvores imóveis. Tempo nublado, porém extremamente abafado.
 Em idênticas circunstâncias, nossos avós espichavam bem a cabeça - como se precisassem - pra profetizar chuva horas depois. E chuvas das brabas, insistiam.
 Hoje, com avanço de pesquisas através dos institutos de meteorologia, acerto em previsões aumentaram consideravelmente, principalmente em intervalos de 24 horas.
 Enquanto as pessoas se empanturravam com guloseima natalina, eram claros os indícios de que o aguaceiro não tardaria. Seria o tempo suficiente para retardatários se juntarem a familiares e amigos e se incorporarem à comilança e bebedeira.
 Do aniversariante pouco se falou. Ou melhor: pouco se prometeu para colocar em prática ensinamentos dele.
PINGO GROSSO
 Três da tarde já se ouvia em telhas de alumínio de garagem o barulho de pingo grosso de chuva.
 Apesar disso, não faltaram aqueles que desafiaram o perigo por aí. E a inobservância do prenúncio de temporal resultou em duro castigo para desafiadores que insistiram em trafegar pelas ruas alagadas de Campinas.
 Depois, no balanço geral de conseqüências, eis aí a constatação de veículos amontoados uns sobre outros, como se fosse brincadeira de carrinhos de crianças.
 Aos desafiadores da natureza a chuva desejou em mau Natal. Àqueles resguardados em teto seguro, o alívio do insuportável calorão. Sentiram-se abençoados com a refrescante brisa que soprava casa adentro. Já podiam dispensar a oportuna toalhinha de enxugar o suado rosto.
 A braveza da chuva de aproximadamente uma hora em Campinas não impediu que famílias reunidas fizessem coisas sagradas nestes raros encontros em datas marcantes: jogar conversa fora molhando as palavras com cerveja, e rir de coisa tola fingindo ser engraçada.
 Assim a tarde foi embora e insaciáveis de plantão não se constrangeram em lambiscada aqui e outra acolá para ‘forrar o estômago.
 Como de hábito, a noite chegou desempenhando implicitamente a exigência de silêncio no ambiente. Já era hora e vez da dona televisão, com amostragem dos estragos provocados pela chuva, imperdíveis tramas de novelas, e, pra completar o dia natalino, a finalíssima do aplaudido programa musical ‘The Voice Brasil?
 Coincidência ou não, assim foi o Natal da maioria das pessoas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Da nudez de Juliana Paes à defesa de militares no poder; é o mundo velho sem porteira 17-12

 Os tempos são outros e a gente não se dá conta disso. Às oito da noite a criançada ainda está colada na televisão e, de repente, na novela ‘Além do Tempo’ da TV Globo, eis que a atriz Juliana Paes é flagrada se exibindo em nu frontal. Sim, peladona nesta quinta-feira
 Vestia, claro, uma calcinha preta transparente, que não escondia absolutamente nada.
 Nada de falso moralismo pra contrariar a exibição do belo. A restrição fica por conta da faixa etária imprópria para a molecadinha.
 O saudoso caipirão Tião Carreiro já interpretava décadas passadas a música ‘Mundo Velho sem Porteira’, que já não endireita mais.
FAVOR DE DILMA
 Como endireitar o nosso mundinho aqui se 50 mil pessoas vão às ruas da capital paulista para se manifestar contra o impedimento da presidente Dilma Roussef.
 Tudo bem que centrais sindicais atuaram fortemente para ‘arrastar’ simpatizantes ou não do governo às manifestações pró-Dilma, mas será que o atoleiro que o PT e aliados enfiaram o país não serviu para apertar o calo de algumas centenas daqueles manifestantes?  Até aonde vai a ingenuidade ou inconsequência?
 No mundo velho sem porteira, a gente ‘das antigas’ custa a aceitar mudanças de costumes radicalmente.
 Em típico papo de botequim com um amigo, dias atrás, manifestei perplexidade pela frieza das pessoas em relação a ente querido que se vai.
MICHEL ABIB
 Relatei que nas primeiras horas após o início do velório de Michel Abib, ex-vice-presidente do Guarani na campanha vitoriosa de 1978, no início deste mês, constatava-se presenças de familiares e amigos de estreita ligação dele no Cemitério da Saudade de Campinas.
 Por lá, nada de bugrinos da velha guarda, ou antigos parceiros de diretoria e conselheiros de outrora. De certo chegaram após o almoço, após divulgação nos veículos de comunicação.
 Claro que seria competência da assessoria de imprensa do Guarani acelerar a informação à mídia campineira. Seria, mas não cumpriu o papel como devia.
UMBIGO
 Retomando a conversa com o citado amigo, pra variar levei novo pito.
- Ari, dê uma olhada para o seu umbigo. Aprenda de uma vez por todas que as pessoas estão preocupadas com o umbigo delas e nada mais. Olhe pro seu.
 Puxa vida, há exatos 36 anos este mesmo amigo, naquele vaivém de ‘prosa’, já havia feito idêntica observação.
 - Ari, saiba de uma coisa de uma vez por todas. Amigo seu é seu pai e sua mãe. E olhe lá!
 Pra completar o álbum, ouço coro até de colegas jornalistas sugerindo a mudança de militares dos quartéis para o Palácio do Planalto.
 Só faltava esta neste mundo velha sem porteira, sem segurança e com farto noticiário de roubalheira.

 Por essas e outras, se Deus quiser pretendo entrar em 2016 admitindo que num mundo velho sem porteira’ é difícil acreditar que as coisas serão endireitadas.

Cuidado ao estacionar o seu veículo; no local uma placa pode citar que ele foi guinchado 14-12

 O verbo parar, quando conjugado na terceira pessoa do singular antes do Acordo Ortográfico de 1990, necessariamente exigia acento agudo. Escrevia-se pára visando diferenciar da homógrafa para como preposição, não acentuada.
 Por que este preâmbulo?  Porque é chato engolir a mudança dessa regra gramatical, mas vamos lá.
 Quando a bola para no território nacional, é possível abrir espaço para discussão de outros assuntos, entre eles a rigidez de amarelinhos da EMDEC em relação a veículos estacionados irregularmente.
 Observo seguidas lamentações de motoristas que, após típica paradinha de alguns minutos em locais proibidos, no retorno se surpreendem ao se aproximarem do local em que veículo estava estacionado.
 Primeiro a sensação de furto. Depois, a constatação de uma placa, lá colocada, com a frase ‘seu veículo foi guinchado’.
CÓDIGO
 Convém ressaltar que o procedimento do agente de trânsito está em consonância com o Código de Trânsito Brasileiro, que determina apreensão do veículo e recolhimento ao pátio.
 Para o proprietário retirá-lo precisa pagar multas impostas, taxas e despesas com remoção, além de encargos previstos na legislação específica. Além disso, caso haja necessidade, terá que ocorrer reparo de qualquer componente ou equipamento obrigatório que não esteja em perfeito estado de funcionamento.
 Cabe esclarecer que não estou incluso nesse processo, mas a interpretação lógica é que tem havido extremo rigor de agentes de trânsito de Campinas para recolhimento de veículos ao pátio municipal.
 Não se poupa até proprietários de veículos que os estacionam nas imediações de estabelecimentos comerciais em bairros de reduzido trânsito.
 É dever do agente de trânsito aplicar multa à infração cometida pelo motorista, mas a velocidade para a chegada do guincho ao local indicado impressiona.
BOM SENSO
 Há casos e casos. Deveria prevalecer o bom senso quando o abuso não foge do tolerável.
 Aí, cabe uma multinha com conotação de educação de trânsito, em vez do rigor da remoção do veículo.

 Por fim, perambulando pelas imediações do Shopping Parque Prado, na tarde desta segunda-feira, constato dois amarelinhos em suas respectivas motos e um caminhão de guincho que, de certo, chegou ao local indicado depois que o motorista infrator se mandou.

Será que vai esquentar o processo de impedimento da presidente Dilma? 13-12

 O processo esquenta pró-impeachment da presidente Dilma Roussef, através da população brasileira, começou morno, bem aquém das expectativas.
Vozes do asfalto ecoaram timidamente neste domingo, para regozijo de petistas e aliados que, por interesses diversos, ainda se encorajam na impopular defesa do indefensável.
 Se o coro ‘Fora Dilma’ não for intensificado nas próximas manifestações populares de protesto - caso haja tempo para isso -, jamais congressistas pró-governo vão se sensibilizar para a retomada da governabilidade com mudanças.
 O barulho das ruas serve de bússola para condução do parlamentar. Se o som produzido pela população se assemelhar ao estilo contralto, de certo não prosperará o processo de impedimento da presidente que tramita na Câmara Federal, processo que petistas e aliados insistem em qualificar indevidamente como tentativa de golpe.
 Claro que faltou divulgação maciça sobre as manifestações em veículos de comunicação, mas é fato inconteste que a população em geral se desestimulou marchar em ruas e avenidas deste país para demonstrar irritação pelo estado de coisas que estão aí.
 Economia em frangalhos, desemprego, recessão e crise política parecem indiferentes à maioria da população. Do contrário, seria aumentado o ‘quórum’ daqueles que gritam ‘Fora Dilma’.
 Novas manifestações virão. Se você entender que o atoleiro o está atingido, mova-se. Pelo menos faça de conta que você é partícipe do processo.