O portal FI é segmentado para publicações essencialmente do futebol, sem deixar de dar um ‘chorinho’ para os outros esportes. Como tal, o blog tem finalidade de acompanhar a linha editorial, sem contudo radicalizar. Cabe, de vez em quando, quebrar a regra. Por isso, permita-me, caro internauta, convidar o atual prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra, a uma visita demorada ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, preferencialmente numa segunda-feira.
Demétrius, já que o senhor está se inteirando das coisas da cidade, com a cassação do então prefeito Hélio de Oliveira Santos, que tal acompanhar o martírio dos pacientes que recorrem ao pronto-socorro do hospital, como observei ao conduzir uma pessoa àquele consultório. Veja bem, prefeito. Nada de visitar obras de reforma no local, com um bando de cupincha atrás.
De certo o senhor goza de um respeitável plano de saúde privado e provavelmente jamais será paciente de um hospital municipal. Tudo bem. Nada disso impede a sua visita, até porque lá estarão os eleitores para contar o quão decadente ficou a saúde pública.
Chegue cedo, prefeito. Digamos por volta das 8h. E venha com o estômago bem ‘forrado’, abastecido por um reforçado café da manhã, até porque o senhor não saberá a hora de saída. Isso, claro, se o senhor se dispuser a acompanhar chegada e saída de um paciente escolhido aleatoriamente.
Não preciso dizer, senhor prefeito, o desconforto de quem procura atendimento em pronto-socorro. O sujeito tem dor até na unha do pé, e lá chegando se assusta ainda mais com um ‘mundaréu’ a espera do mesmo atendimento.
Pra não quebrar o regimento interno da ‘casa’, o paciente pega uma senha e aguarda indicação do painel luminoso para preenchimento da ficha. Aí, em caso de emergência, de atendimento inadiável, passa à frente dos outros. Se for aquela cólica renal que judia mas não mata, o paciente terá que agüentar as ‘pontas’ na marra.
Senhor prefeito, prepare-se para ver tudo isso e muito mais, a começar pelo número reduzido de médicos no atendimento. De repente a sirene de uma viatura do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) abre passagem para a chegada de um baleado e os médicos plantonistas abandonam seus postos e se deslocam à emergência.
Sim, seu prefeito, o tempo passa - dizia o saudoso narrador esportivo Fiori Gigliotti - e o paciente já está até com calo na bunda de tanto ficar sentado à espera de atendimento.
Calma, seu prefeito. Entendemos que a sua agenda está comprometida com essas quatro horas de espera sem que o paciente tenha sido atendido, mas vamos aguardar conforme o proposto.
Ufa, chegou a vez. E o paciente deixa o boxe do consultório com guias de pedidos de exames laboratoriais e quantos forem necessários para que se tenha pleno diagnóstico de seu estado clínico.
Ótimo. Só que aí vão comunicá-lo que a previsão para conclusão dos exames é de mais quatro horas.
Pelas contas, lá se vão mais de oito horas de martírio e, de certo, o estômago do prefeito estará ‘roncando’ - considerando-se apena o café da manhã como o lanche do dia.
Aí, o paciente inda terá que enfrentar outra fila, com cerca de 20 pessoas à sua frente, aguardando a vez da chamada para retorno ao médico.
Prefeito, desculpe tê-lo chamado para tão indigesto compromisso, mas era necessário. Quem sabe o senhor se sensibilize com o descaso ao paciente, por extensão o mesmo que contribui com impostos ao município.
Quem sabe, prefeito, apesar da escassez de recursos, o senhor feche as torneiras para gastos públicos não essenciais e os convirja à saúde.
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