terça-feira, 24 de agosto de 2010

Trânsito, teste à paciência

Quando se vê dinheiro público jogado do ralo por ‘ene’ motivos, lamenta-se a falta de previsão orçamentária para execução de obras de melhoria do viário em áreas urbanas de Campinas.
É de conhecimento o projeto do governo do Estado de São Paulo para o prolongamento da Rodovia Magalhães, de forma que veículos que adentram o perímetro urbano de Campinas circulem em rodovias no entorno da cidade, evitando, assim, inevitáveis estrangulamentos nas avenidas de acesso.
Se hoje a Rodovia Magalhães Teixeira corta a região sul de Campinas entre as vias D. Pedro I e Anhanguera, o prolongamento até a Rodovia Bandeirantes serviria para desafogar o trânsito na Rodovia Santos Dumont.
Sem se ignorar o alto custo do empreendimento, que implica em desapropriações de propriedades rurais no itinerário, pondera-se, por outro lado, que a execução do projeto é de vital importância para melhorar o fluxo de veículos que trafegam pela via Santos Dumont sentido centro de Campinas.
Nos horários de pico observa-se congestionamentos monstros por ali, coisa de quatro a cinco quilômetros, que representam um inequívoco teste à paciência do motorista. Assim, enquanto não se viabiliza o escoamento de veículos através de um novo traçado, é imprescindível que a Secretaria de Transportes de Campinas adote medidas paliativas para minimizar o problema. E uma delas seria o asfaltamento de um atalho interligando a Rodovia Santos Dumont à antiga estrada intermunicipal Campinas-Indaiatuba.
No citado trajeto, quando o motorista chegar no trevo da Anhanguera, poderia acessá-la sentido Valinhos, com retorno na estreita ponte que indica entrada ao bairro Parque Jambeiro. Aí, bastaria percorrer algumas centenas de metros para ter opção de entrar no bairro Campos Sales, ‘linha’ de entrada para circulação na região sul de Campinas.
Evidente que toda esta conjectura seria complementada se o governo estadual tirar rapidamente do papel o projeto de construir vias marginais na Rodovia D. Pedro I, para que o já saturado trânsito no setor não seja ainda mais prejudicado.
Eis a questão. Então, mãos à obra!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Compromisso do presidenciável

Já que a cadeira do presidente Lula, esquentada há quase oito anos, será ocupada por outro líder político a partir de janeiro próximo, que tal questionarmos pra valer os candidatos à sucessão? A despeito dos indicadores econômicos e sociais apontarem estratégias políticas de acerto do atual governo, evidentemente que deve ser duramente questionado sobre tópicos que extrapolam as costumeiras respostas de setores ligados à educação, saúde, etc. É imprescindível que se discuta desperdício de dinheiro na administração pública em esfera federal. Afinal, torram-se recursos públicos sem dó e precisam dar um basta nisso.
Candidatos mais bem pontuados na corrida presidencial já não podem se esquivar de temas ligados à Previdência Social e seu rombo desmedido. O dinheirão despejado na média e grande mídia nacional em forma de propaganda é intolerável, e a população cobra posição de freio nesse absurdo. E a questão de segurança tem de ser tratada necessariamente como prioritária sobre todos os aspectos: preventivo, ostensivo e investimento maciço no setor de inteligência.
Se político é liso como quiabo, sejamos então incisivos às vésperas das eleições para cobrança de compromissos sérios. A petista Dilma Roussef e o tucano José Serra, favoritos na corrida presidencial, devem explicar com clareza se vão injetar desnecessariamente verbas exorbitantes de empresas estatais em propagandas na televisão e jornal. Até parece que a Petrobras carece de tanta propaganda.
A população está enojada da constatação de viagens presidenciais com uma infinidade de convidados. Logo, espera que ambos assumam compromisso público de dar um basta nessa mordomia. As chamadas verbas orçamentárias de parlamentares, destinadas aos respectivos currais eleitorais, são intoleráveis. É a adoção do receituário de São Francisco de Assis: “é dando que se recebe”. É o indisfarçável ‘dá lá e toma lá’ explicado pelo saudoso deputado federal Roberto Cardoso Alves, o Robertão, durante o governo do então presidente José Sarney, na década de 80.
Previdência Social é uma ferida que poucos se atrevem mexer, sob risco de se adiar a cicatrização. Só que agora a discussão do tema é inadiável. Os presidenciaiáveis já não podem sair pela tangente. Têm que dizer qual o projeto para minimizar o rombo do órgão, que passa necessariamente pela ampliação do período de contribuição do trabalhador da iniciativa privada. Se a lei, hoje, exige a soma de 35 anos de contribuição para aposentadoria plena, é natural se projetar ampliação para mais cinco anos. Se a canetada do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1996, determinou idade mínima de 53 anos para aqueles que optarem pela aposentadoria proporcional de 30 anos de contribuição, de certo o novo presidente terá de exigir cota maior de sacrifício ao trabalhador para ajuste paliativo da Previdência Social. Então, o que fazer? Aumentar a idade mínima da aposentadoria proporcional para 60 anos? Menos que isso para homens?
Eis a questão que não pode ser ignorada. Claro que implica em decisões antipopulares, porém imprescindíveis, respeitando-se, é claro, escala de transição para aqueles que estão na iminência da aposentadoria. O silêncio dos candidatos, agora, terá reflexo de estelionato eleitoral depois se mexerem nas regras do jogo. E muito provavelmente o sucessor de Lula terá de modificar o sistema.
Por fim, quanto a questão de segurança, já passou da hora de governo federal e governos estaduais terminarem com a reprovável briguinha de gato e rato, quando transferem mutuamente responsabilidade pelo caos no segmento. É intrigante a posição de o governo federal transferir aos Estados a obrigação de zelar pela segurança do cidadão. Da mesma forma é inaceitável desculpa cotidiana dos governos estaduais de que as frágeis fiscalizações nas fronteiras com países sul-americanos implicam em entradas de armas e drogas em grande proporção, alimentando facções criminosas. A transferência de culpa à União tem lá suas razões, mas já não se pode apoiar apenas nessa justificativa.
O cidadão de bem exige cumprimento de seu direito de ir e vir sem os riscos incontroláveis de hoje. Já passou da hora de a vida humana continuar banalizada com mortes estúpidas. Vítimas de latrocínios não podem continuar apenas como estatística da criminalidade. A rigor, com os adventos de Copa do Mundo em 2016 e Jogos Olímpicos em 2016, a segurança se transforma em segmento prioritário, exigindo investimentos nunca vistos. E se o conjunto de regras implicar em mudança no Código Penal, que optem pela mudança.
Eleitor, chegou a sua vez. Conheça o seu candidato presidencial por inteiro. E que nossos interlocutores, os jornalistas, não desperdicem a oportunidade de interrogá-los duramente sobre aquilo que de fato queremos ouvir.