sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Papai Noel ignorou o sapatinho na janela

Mandaram-me colocar um sapatinho na janela até a antevéspera do Natal, na expectativa que o 'barbudaço' Papai Noel traria o presente.

E presente chique, avisaram-me.

Chique?

Nem tanto, mestre!

Desde que fosse um presente justo, representativo, me confortaria.

De certo centenas de milhares de pessoas repetiram o gesto e se zangaram com o homem de vermelho. Justo vermelho!

PROMESSA

Como se ainda estivesse na pré-escola - antigamente chamada de Jardim de Infância -, acreditei na promessa.

Falaram que naquele saco, supostamente pesado, o bom velhinho me presentearia, e que a regalia seria contemplada, por extensão, por incontáveis pessoas.

Contaram-me que o 'bom velhinho', um homem do bem, detesta tramóia, trabalhada e maus costumes.

Acreditei.

Pior é que Papai Noel, um 'ser' supostamente incisivo, deu uma tremenda enrolada. Enrolou tão bem que me fez lembrar aqueles mágicos que escolhem uma carta no molho, posteriormente a embaralha às demais, e por fim, com a perícia característica, jogam-na à mesa.

Logo, restou-me como ensinamento que o sapatinho não deve continuar na janela, pois a insistência vai deixá-lo mofado.

O sapatinho deu tanto azar que, melhor mesmo, é encostá-lo num canto do quartinho no quintal, misturado às ferramentas. Ou então se desfazer dele.

Os caras pedem o seu voto e depois fazem isso

Neste período de entressafra do futebol, prevalecem especulações e palpitômetros relativos aos clubes, embora estejamos a pouco mais de três semanas para a largada da temporada no futebol paulista.

Como fatos de interesse geral estão rolando neste 'Brasilzão' de Deus, cabe sim reflexão sobre eles.

Deputados e senadores com mandatos vigentes aprovaram a tal PEC (Proposta de Emenda Constitucional) batizada de fura-teto, que libera para o próximo governo R$ 168,9 bilhões.

A pretexto de cumprimento de agenda financeira do programa Auxílio Brasil, deram uma espetada ainda maior do programado, e aí você, desavisado, de certo questiona: o que eu tenho a ver com isso?

Ora, se não há previsão concreta de receita para o rombo, qual o caminho de socorro?

O mais viável é que coloquem em prática aquele troço chamado aumento de impostos.

Pois logo logo ele vai bater no seu bolso.

AUMENTO DE SALÁRIOS

Sabe aqueles caras que você depositou confiança para bem gerir o dinheiro público, no legislativo federal?

Pois no apagar das luzes, aos 48 minutos do segundo tempo, deputados e senadores decidiram aumentar o próprio salário, assim como de presidente, vice e ministros da toga.

Se hoje parlamentares recebem R$ 33,7 mil mensalmente - fora incontáveis regalias - a partir de primeiro de janeiro isso sobe para R$ 39.293,32, e assim progressivamente até 2025.

Tá bom pra você?

Pois é, em véspera de eleição você é iludido com aquele papinho de que o fulano vai trabalhar para a saúde, educação, segurança, proteção aos mais pobres e você, ingenuamente, cai na ladainha.

Aí, eleitos, os caras zombam de você com esse gol contra.

Pior da história é que você sequer foi conferir como votaram os seus parlamentares neste tapa na cara.

domingo, 30 de outubro de 2022

Há mais de 50 anos, Quércia já mostrava como a política é um troço de catimba

O caloroso debate presidencial na noite da última sexta-feira, transmitido ao vivo pela Rede Globo de Televisão, lembrou os tempos em que caciques dos principais partidos políticos, nas décadas 80 e 90, por pouco não saíam no braço, durante múltiplas ofensas mútuas, quando debatiam.

Tempos em que Jânio Quadros, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, Orestes Quércia, Paulo Maluf e Franco Montoro se digladiavam, quando debatiam.

Era um formato em que um candidato invadia espaço da fala do outro, e aquilo se transformava em tremenda bagunça.

MENTIRA

Sexta-feira passada foi o último encontro que candidatos se expuseram na busca do voto para a eleição deste domingo, em todo País.

No debate, a palavra mais pronunciada pelos candidatos Jair Bolsonaro e Lula, ao segundo turno da eleição a presidente da República, foi o substantivo masculino mentiroso.

Quem mentiu, se mais ou menos, fica por conta de sua dedução. Aquele 'ringue' me fez lembrar como a política é catimbada, como enfrentamento dos prefeituráveis de Campinas na eleição de 1968, na minha adolescência.

Viajo no tempo para recordar comícios realizados naquela época, como aquele em que o saudoso jornalista e político Romeu Santini, da sigla Arena, tido como favorito naquela eleição, discursava na então interditada Rua Abolição, esquina com Ângelo Simões, no bairro Ponte Preta, como a projetar a sua vitória.

Todavia, manobras inerentes à política provocaram tremenda reviravolta de última hora, e programadas pelo catimbeiro adversário Orestes Quércia, do MDB, já falecido, à época vereador cobiçando cargo mais alto.

O que fez o catimbeiro Quércia?

PANFLETOS

Sujou a cidade com milhares de panfletos apócrifos espalhados pelas ruas, acusando Santini de projeto para acabar com as feiras livres em Campinas, assim como proposta para asfaltar as então ruas pavimentadas por paralalepípedos do nobre bairro Nova Campinas.

Aquilo provocou tremendo alvoroço na cidade, com Quércia vencendo aquelas eleições para, incontinenti, surpreender com revolucionária administração municipal em Campinas.

Quem duvidou viu o cumprimento de promessa de campanha à construção do imponente prédio da prefeitura, na Avenida Anchieta.

Quércia provocou revolução no tratamento de água, plano diretor de esgoto, instalação de praças de esportes em bairros populosos e urbanização na então abandonada área do Parque Taquaral, identificada como Lagoa do Taquaral.

A sequência da trajetória dele na política como governador, senador e candidato à presidência da República é sobejamente conhecida, assim como denúncias de mau uso do dinheiro público enquanto gestor.

Esse breve relato sobre Quércia é uma amostragem que depois de meu acompanhamento na política há cinco décadas, tudo continua como Dantes, no quartel de Abrantes: catimba e 'mentiradas'.

Nem por isso devemos nos dissociar dela, sob pena de os homens do poder continuarem com viciadas falcatruas.


terça-feira, 20 de setembro de 2022

Campinas andando pra trás

Que decadência a área central de Campinas!

Prova disso é a queda brutal de transeuntes perambulando por lá.

Lojas fechadas aos montes, com predominância de placas de aluga-se e vende.

Neste cenário, quem se ferra redondamente são comerciantes, com lojas vazias e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) altíssimo.

Se faltam clientes, sobram moradores de ruas, que enfeiam o local ao estenderem cobertores em calçadas e repousarem sob o domínio de bebidas.

E quem percorrer no Centro de Campinas na hora do almoço e o estômago 'roncar', saiba que já cobra-se até R$ 6,5 por cem grama de comida, aquela definida por peso.

ELEIÇÃO

Véspera de eleição, lá estão candidatos e as suas respectivas comitivas com a vã e superada promessa de luta pela educação e saúde.

Com certeza, se comunicariam melhor à população se estendessem placas denunciando deputados que votaram favoráveis à continuidade de saidinha de presos, principalmente aqueles do PT, que votaram em peso a favor dos bandidos.

Por sinal, de bandidos eles entendem bem, pois apoiam os seus amiguinhos de partido que foram presos.

Depois que bandido com provas foi solto por engenharia jurídica, as pessoas perderam a noção do que é certo e errado.

No ônibus, mulher exige que seu filho - de altura superior à roleta - se arraste no chão para não pagar tarifa.

Ainda em ônibus, há comodismo até de senhorinha virar a roleta, ao passar o cartão, e posteriormente buscar assento em banco perto do motorista.

Nesta farra de descer pela porta da frente, já flagrei a safadeza daqueles que nem cartões passaram e foram no embalo, na cara do condutor do veículo, que fez de conta que não viu.

Aí, quando piso novamente em casa, o desalento: pesquisas que apontam o ladrão à frente na disputa presidencial.

Acreditar ou não nas pesquisas, o certo é que as pessoas passam a acreditar que o ladrão está à frente, começam a se convencer que ele foi inocentado, apesar de todas as evidências contrárias.

Enfim, vivemos o apocalipse. Vivemos época em que o poste mija no cachorro.