O caloroso
debate presidencial na noite da última sexta-feira, transmitido ao
vivo pela Rede Globo de Televisão, lembrou os tempos em que
caciques dos principais partidos políticos, nas décadas 80 e 90,
por pouco não saíam no braço, durante múltiplas ofensas mútuas,
quando debatiam.
Tempos em
que Jânio Quadros, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, Orestes
Quércia, Paulo Maluf e Franco Montoro se digladiavam, quando
debatiam.
Era um
formato em que um candidato invadia espaço da fala do outro, e
aquilo se transformava em tremenda bagunça.
MENTIRA
Sexta-feira
passada foi o último encontro que candidatos se expuseram na busca
do voto para a eleição deste domingo, em todo País.
No debate,
a palavra mais pronunciada pelos candidatos Jair Bolsonaro e Lula, ao
segundo turno da eleição a presidente da República, foi o
substantivo masculino mentiroso.
Quem
mentiu, se mais ou menos, fica por conta de sua dedução. Aquele
'ringue' me fez lembrar como a política é catimbada, como
enfrentamento dos prefeituráveis de Campinas na eleição de 1968,
na minha adolescência.
Viajo no
tempo para recordar comícios realizados naquela época, como aquele
em que o saudoso jornalista e político Romeu Santini, da sigla
Arena, tido como favorito naquela eleição, discursava na então
interditada Rua Abolição, esquina com Ângelo Simões, no bairro
Ponte Preta, como a projetar a sua vitória.
Todavia,
manobras inerentes à política provocaram tremenda reviravolta de
última hora, e programadas pelo catimbeiro adversário Orestes
Quércia, do MDB, já falecido, à época vereador cobiçando cargo
mais alto.
O que fez
o catimbeiro Quércia?
PANFLETOS
Sujou a
cidade com milhares de panfletos apócrifos espalhados pelas ruas,
acusando Santini de projeto para acabar com as feiras livres em
Campinas, assim como proposta para asfaltar as então ruas
pavimentadas por paralalepípedos do nobre bairro Nova Campinas.
Aquilo
provocou tremendo alvoroço na cidade, com Quércia vencendo aquelas
eleições para, incontinenti, surpreender com revolucionária
administração municipal em Campinas.
Quem
duvidou viu o cumprimento de promessa de campanha à construção do
imponente prédio da prefeitura, na Avenida Anchieta.
Quércia
provocou revolução no tratamento de água, plano diretor de esgoto,
instalação de praças de esportes em bairros populosos e
urbanização na então abandonada área do Parque Taquaral,
identificada como Lagoa do Taquaral.
A
sequência da trajetória dele na política como governador, senador
e candidato à presidência da República é sobejamente conhecida,
assim como denúncias de mau uso do dinheiro público enquanto
gestor.
Esse breve
relato sobre Quércia é uma amostragem que depois de meu
acompanhamento na política há cinco décadas, tudo continua como
Dantes, no quartel de Abrantes: catimba e 'mentiradas'.
Nem por
isso devemos nos dissociar dela, sob pena de os homens do poder
continuarem com viciadas falcatruas.