sábado, 14 de maio de 2016

Saudade da mãe Tonha

Quinze minutos deste oito de maio de 2016. Já no dia consagrado às mães, o cérebro projeta três imagens de minha saudosa genitora, dona Antonia, a Tonha: trouxa de roupas laçadas em lençol sobre a cabeça; girando cinta de couro que ‘cantava’ na bunda e pernas do então molequinho aqui; e nariz machucado por respirador artificial em dias que antecederam a morte, em 2004.

 Sim, a lavadeira carregava filhos de colo em ônibus urbano sem alarde. Destemida, não se curvava a desafios impostos pela pobreza.

 Aquelas ‘guascadas’ de provocar vergões no corpo significavam diploma de aprendizagem de bons costumes e caminhos corretos a serem seguidos.

 Por fim, a fragilidade em leito hospitalar, na travada luta pela vida, foi o último duro castigo em que se busca explicação e não se encontra.

 Castigo que começou a se estender quando as pernas ficaram imóveis e foi impiedosamente lançada em cadeira de rodas.

 Mães, em comum, têm apenas um pecado: se necessário acompanham os filhos até o inferno.

 E tudo pelo característico amor materno.