sábado, 14 de maio de 2016

Saudade da mãe Tonha

Quinze minutos deste oito de maio de 2016. Já no dia consagrado às mães, o cérebro projeta três imagens de minha saudosa genitora, dona Antonia, a Tonha: trouxa de roupas laçadas em lençol sobre a cabeça; girando cinta de couro que ‘cantava’ na bunda e pernas do então molequinho aqui; e nariz machucado por respirador artificial em dias que antecederam a morte, em 2004.

 Sim, a lavadeira carregava filhos de colo em ônibus urbano sem alarde. Destemida, não se curvava a desafios impostos pela pobreza.

 Aquelas ‘guascadas’ de provocar vergões no corpo significavam diploma de aprendizagem de bons costumes e caminhos corretos a serem seguidos.

 Por fim, a fragilidade em leito hospitalar, na travada luta pela vida, foi o último duro castigo em que se busca explicação e não se encontra.

 Castigo que começou a se estender quando as pernas ficaram imóveis e foi impiedosamente lançada em cadeira de rodas.

 Mães, em comum, têm apenas um pecado: se necessário acompanham os filhos até o inferno.

 E tudo pelo característico amor materno.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Novos intérpretes resgatam música raiz

 Virou moda intérpretes da música sertaneja recorrerem a sucessos do passado do sertanejo genuíno, de raiz. Foi assim com Daniel e o Reino Encantado, com as duplas preferidas dos universitários - César Menotti e Fabiano - e Victor e Léo, álbum regional de Chitãozinho e Xororó e recentemente César e Paulinho.
 Louve-se a intenção de resgatar e imortalizar esses grandes sucessos, principalmente para um público jovem que os desconhecia. Há, porém, um reparo a se fazer: por que composições interpretadas pelas memoráveis duplas Jacó e Jacozinho e Palmeira e Biá não estão inseridas neste contexto? Se tiverem, queiram me desculpar, são raríssimas. Jacó e Jacozinho gravaram ‘pérolas’ que poderiam ser mostradas novamente com outras vozes.

 Palmeira e Biá interpretavam fielmente o homem do campo, inclusive na fala. Décadas passadas, quem sentia o cheiro da relva e dos animais flexibilizava o radical do verbo apenas na terceira pessoa do singular. Na gramática deles tanto faz dizer ele vai como “nós vai”. Tudo com muita naturalidade. Naquele ‘time’ incluíam-se Palmeiras e Biá, donos de um estilo inconfundível pela batida no violão.