Quinze minutos deste
oito de maio de 2016. Já no dia consagrado às mães, o cérebro projeta três
imagens de minha saudosa genitora, dona Antonia, a Tonha: trouxa de roupas
laçadas em lençol sobre a cabeça; girando cinta de couro que ‘cantava’ na bunda
e pernas do então molequinho aqui; e nariz machucado por respirador artificial
em dias que antecederam a morte, em 2004.
Sim, a lavadeira carregava filhos de colo em
ônibus urbano sem alarde. Destemida, não se curvava a desafios impostos pela
pobreza.
Aquelas ‘guascadas’ de provocar vergões no corpo significavam diploma de aprendizagem de bons costumes e caminhos corretos a serem seguidos.
Por fim, a fragilidade em leito hospitalar, na travada luta pela vida, foi o último duro castigo em que se busca explicação e não se encontra.
Castigo que começou a se estender quando as pernas ficaram imóveis e foi impiedosamente lançada em cadeira de rodas.
Mães, em comum, têm apenas um pecado: se necessário acompanham os filhos até o inferno.
E tudo pelo característico amor materno.