sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Sorriso duvidoso - (texto publicado no dia 11 de setembro de 2004 no jornal TodoDia)



Por que políticos têm mania de sorrir quando fotografados? Seriam assessores que recomendam imagem descontraída? Seria demonstração de simpatia? Seria forma para minimizar a feiúra ou será que estão rindo de nós, eleitores?
Seja qual for a alternativa correta, está claro que raramente você flagra uma foto de político idêntica à fisionomia em gabinetes executivos ou nos parlamentos. No exercício da função ou em showmícios, eles são sisudos e até carrancudos. E o mesmo se aplica a aspirantes a cargos políticos. Muitos deles aprenderam rapidamente que um sorriso, mesmo que forçado, pode garantir melhoria da imagem.

Esses quadros antagônicos há tempos estão incorporados à política e o eleitor de certo conferiu e contestou. Diferentemente, a maioria dos eleitores não tem motivos para ‘largos’ sorrisos. A despeito do crescimento econômico no País anunciado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais e Econômicos) e Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Mistério do Trabalho, apesar do leve reaquecimento nos índices de emprego em quase todos os Estados da União, está claro que ainda vivemos tempos ‘bicudos’ e a insegurança é geral.

Com o censurável sorriso de candidatos a mandatos políticos, a partir de hoje me disponho ao espinhoso exercício de trilhar na contramão das propostas tradicionais dos candidatos e começo a confrontá-las, até porque admito a pecha de anticandidato.

Vamos discutir (soa sem arrogância a aplicação do verbo na terceira pessoa do plural) em edições posteriores que propostas políticas não se restringem a promessas de vagas em creches e escolas públicas. Vamos procurar mostrar que saúde não é só propor construção de novas unidades hospitalares, ampliação de horários de atendimentos, distribuição gratuita de remédios e contratação de novos profissionais especializados. É muito mais que isso, principalmente o trabalho de persuasão para prevenção de doenças.

É prática repetitiva cobrar vagas para todas as crianças em escolas municipais. Os problemas no ensino público - e também privado - transcendem o saber. É inadmissível o convívio de estudantes de boa formação com delinqüentes que espalham o terror em sala de aula. O joio tem de obrigatoriamente ser separado do trigo e não se pode fechar os olhos para esta triste realidade. A rigor, também vamos nos aprofundar nesta ‘ferida’.

Vamos questionar, ainda, planos de segurança ora expostos, que se limitam basicamente a integração de corporações policiais, aumento do contingente e reivindicação de mais viaturas. Custe o que custar, o investimento preventivo em segurança tem retorno garantido e é inadiável.

Hoje, portanto, nos restringimos ao questionável sorriso. Depois, conforme prometido, vamos alinhavar algumas propostas que podem ser implementadas por quem postula cargo majoritário nas eleições municipais. Vamos fazer ‘discursos’ à população carente, sem contudo esquecer dos abastados, até porque eles também pagam impostos. Política implica prioritariamente em ampliar a inclusão social, mas não se deve fechar os olhos para as demais classes sociais.