Por que políticos têm mania de sorrir quando fotografados? Seriam assessores que recomendam imagem descontraída? Seria demonstração de simpatia? Seria forma para minimizar a feiúra ou será que estão rindo de nós, eleitores?
Seja qual for a alternativa correta, está claro que raramente você flagra uma foto de político idêntica à fisionomia em gabinetes executivos ou nos parlamentos. No exercício da função ou em showmícios, eles são sisudos e até carrancudos. E o mesmo se aplica a aspirantes a cargos políticos. Muitos deles aprenderam rapidamente que um sorriso, mesmo que forçado, pode garantir melhoria da imagem.
Esses quadros antagônicos há tempos estão incorporados à política e o eleitor de certo conferiu e contestou. Diferentemente, a maioria dos eleitores não tem motivos para ‘largos’ sorrisos. A despeito do crescimento econômico no País anunciado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais e Econômicos) e Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Mistério do Trabalho, apesar do leve reaquecimento nos índices de emprego em quase todos os Estados da União, está claro que ainda vivemos tempos ‘bicudos’ e a insegurança é geral.
Com o censurável sorriso de candidatos a mandatos políticos, a partir de hoje me disponho ao espinhoso exercício de trilhar na contramão das propostas tradicionais dos candidatos e começo a confrontá-las, até porque admito a pecha de anticandidato.
Vamos discutir (soa sem arrogância a aplicação do verbo na terceira pessoa do plural) em edições posteriores que propostas políticas não se restringem a promessas de vagas em creches e escolas públicas. Vamos procurar mostrar que saúde não é só propor construção de novas unidades hospitalares, ampliação de horários de atendimentos, distribuição gratuita de remédios e contratação de novos profissionais especializados. É muito mais que isso, principalmente o trabalho de persuasão para prevenção de doenças.
É prática repetitiva cobrar vagas para todas as crianças em escolas municipais. Os problemas no ensino público - e também privado - transcendem o saber. É inadmissível o convívio de estudantes de boa formação com delinqüentes que espalham o terror em sala de aula. O joio tem de obrigatoriamente ser separado do trigo e não se pode fechar os olhos para esta triste realidade. A rigor, também vamos nos aprofundar nesta ‘ferida’.
Vamos questionar, ainda, planos de segurança ora expostos, que se limitam basicamente a integração de corporações policiais, aumento do contingente e reivindicação de mais viaturas. Custe o que custar, o investimento preventivo em segurança tem retorno garantido e é inadiável.
Hoje, portanto, nos restringimos ao questionável sorriso. Depois, conforme prometido, vamos alinhavar algumas propostas que podem ser implementadas por quem postula cargo majoritário nas eleições municipais. Vamos fazer ‘discursos’ à população carente, sem contudo esquecer dos abastados, até porque eles também pagam impostos. Política implica prioritariamente em ampliar a inclusão social, mas não se deve fechar os olhos para as demais classes sociais.