Alex Alves, no campo um atleta feliz
Morte de uma pessoa aos 37 anos de idade, como
a do jogador Alex Alves, é impactante. E o pensador italiano Cícero, nascido no
ano 106 a .C.,
já filosofava na época: “Que há de mais natural para o velho do que a
perspectiva de morrer?”. E arrematava comparando a dor pela perda de vida de
quem não é velho.
“Quando a morte golpeia a juventude, a
natureza resiste e se rebela. Assim como a morte de um adolescente me faz
pensar numa chama viva apagada sob um jato d’água, a de um velho se assemelha a
um fogo que suavemente se extingue”.
Desde que mundo é mundo a espécie humana sabe
que não há certeza da chegada ao tempo de velhice, da necessidade de
conscientização de que estamos por aqui apenas de passagem, que a morte é
inexorável.
Adianta? Claro que não.
Prevalece por aí a empáfia, ganância sem fim pelo dinheiro e poder.
Pelo menos Alex Alves transmitia a sensação de
viver em sua plenitude quando irradiava satisfação a cada gol marcado.
Cambalhotas eram a marca registrada. E tal como no campo, fora dele demonstrava
irreverência com cabelos pintados e arrumados de seu jeito.
Esse hábito se repetiu de 1992 - quando
iniciou a carreira no Vitória da Bahia -, e se prolongou até 2007 quando a
doença HPN (Hemoglobinúria Paroxística Noturna) se manifestou e abreviou o
encerramento da carreira em 2010, no União Rondonópolis (MT).
Naqueles 18 anos de profissionalismo atuou
como ponteiro-direito veloz que fecha em diagonal nas proximidades da área
adversária, e fez gols em abundância. Passagens coroadas com os principais
títulos foram no Campeonato Brasileiro pelo Palmeiras em 1994 e Libertadores da
América no Cruzeiro em 1997.
O bom desempenho abriu-lhe portas para
ingressar em clubes do exterior. Consta da biografia que atuou pelo Hertha
Berlim da Alemanha, Boa Vista de Portugal e Kavale da Grécia, passagens entremeadas
com volta ao Brasil para defender Atlético Mineiro, Portuguesa, Vasco,
Fortaleza, Juventude e União Rondonópolis.
Naturalmente o intrigado desportista que desconhecia
a HPN já foi informado que trata-se de uma doença rara das células-tronco
hemotopoéticas, causada por mutação de um gene ligado ao cromossomo X. Ela se
manifesta no limite de dez pessoas no universo de um milhão. Um dos sintomas é
a urina escurecida no período noturno; outro as infecções recorrentes.
Alex Alves travou batalha incansável pela
cura, submetendo-se a transplante de medula, doada por um de seus irmãos. Contudo
perdeu a luta contra doença e não realizou o sonho de uma partida de despedida
do futebol.
Da morte dele restou o ensinamento de que as
pessoas devem viver intensamente cada dia e saborear cada momento como se fosse
o único.