Por Ariovaldo Izac
Exceto os modelos de bilhete único e tarifa única implementados por prefeituras, de resto é só blá-blá-blá no segmento transporte. É aquela mesmice irritante. Que tal uma reflexão sobre a bicicleta como ferramenta de extrema utilidade como meio de transporte? Evidente que os negativistas vão logo contestar. De certo acham um absurdo se falar em bicicletas como meio de transporte, considerando-se os avanços tecnológicos em novos veículos. Pois saibam, senhores contestadores, que a ‘tal magrela’ e automóveis podem perfeitamente ocupar o mesmo espaço com regras claras e bem definidas, de forma que riscos de acidentes sejam minimizados.
Pessimismo à parte, bem que administradores da Região, tidos como renovadores, poderiam avaliar políticas de transporte que incorporem a bicicleta no transporte. Se a idéia tem eficácia na Holanda, Inglaterra e Canadá, por exemplo, por que não pode dar certo aqui? A cultura lá fora é outra? Claro que sim, mas condutores de automóveis daqui podem perfeitamente se condicionar à nova educação no trânsito, podem assimilar regras primárias de respeito a ciclistas e pedestres.
Como manda o velho figurino, seriam recomendáveis, a princípio, campanhas educativas no trânsito. Ciclistas jamais podem trafegar sem capacetes. Sinalização de solo e vertical deve limitar velocidade em 40km/h. E ciclista que trafegar fora de corredores e faixas delimitaddos têm que ser advertidos. Placa de identificação de bicicleta também é vital.
Lógico que não deve haver tolerância com motoristas de automóveis que violarem espaço destinado a ciclistas. Depois disso, o jeito é transferir para a prática sábias palavras do saudoso radialista Nadir Roberto, de Piracicaba: “Ou vai ou racha, ou então arrebenta a caixa”. Trocado em miúdos: ou vai por bem ou vai por mal.
Na imponente Montreal - uma das mais importantes cidades do Canadá - a prefeitura implantou política cicloviária com corredores exclusivos para ciclistas. Até em largas avenidas congestionadas de veículos reservaram um cantinho pra quem pedala. Destinam faixas exclusivas para ciclistas e, assim, a bicicleta se transformou num importante meio de locomoção ao trabalho, escola e passeio. Claro que lá o ciclista não estaciona a ‘magrela’ rente sarjetas sem qualquer proteção a espera do larápio para furtá-la. Embora lá o índice de criminadade seja reduzidíssimo, também se observa o dito que ‘seguro morreu de velho’. Quer nas calçadas, quer rente às sarjetas, foram projetados postinhos apropriados para se laçar correntes a bicicletas. Também foi incluso no projeto construções de bicicletários, uma espécie de estacionamentos específicos para guardar magrelas sem risco de furto ou avaria.
Eis aí, portanto, um meio prático de se redescobrir valores sociais através da bicicleta. Pedaladas são vitais à manutenção da saúde e o condutor já não precisa fazer esforço descomunal para movimentá-la. Novas tecnologias, com variações de marchas, transformam subidas antes intransponíveis em ‘doce de coco’. Tudo isso sem enumerar a significativa economia no bolso do ciclista, que deixaria de desembolsar dinheiro para tarifas diárias de ônibus.
Uma vez implantado o projeto, com certeza patrões seriam sensíveis às exigências de construção de galpões para estacionamento de bicicletas, construções e ampliações de vestiários e multiplicação de chuveiros para o necessário banho do funcionário. E por aí vai.
A febre da bicicleta com certeza daria uma enxugada nos ônibus do transporte coletivo - notadamente nos horários de pico - e, por extensão, seria um indicativo para ‘fuga’ de veículos das ruas centrais das cidades.
Instalações de mais microcâmeras em quadriláteros centrais das cidades seriam providenciais. Flagrariam mais motoristas imprudentes e infratores - principalmente motoqueiros -, assim como identificarão e inibirão vândalos e assaltantes.